Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

Nome:
Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

29 setembro 2006

DA TARDE E DA VIDA



Dentro da vida não passar de um sonho, como o sopro breve da manhã tranqüila, recatada no seu obséquio de beleza, expressiva ocasião da esperança animadora do futuro mais próximo.
Existir...
A partir da notícia da vida, só há vida. Vida predita nos festins familiares, nas parcerias da escola, nas companhias das ruas, da intimidade, da individualidade. Vida sentida nos conjuntos independentes de coisas da vida. Das impressões de cada um. Das observações de cada um. Das leituras de cada um.
É como sorrir. É como chorar. Ninguém vive na iminência eterna das lágrimas, mas do seu sorriso. Não há como supor honesta, contudo, a lágrima que cai treinada, predestinada. Do sorriso, sim, depreende-se algo alentador no seu esboço, ao menos, apesar do risco certo duma falsidade embutida.
E lágrimas são longas. Talvez porque desagradáveis, ao revelarem tristeza. Talvez porque indigestas, por seu sabor salgado. Talvez porque deformadoras, na sua impostação facial. Negativas, afinal.
A manhã tranqüila, subventilada, passa. Nalguma lembrança há que se mostrar saudade, tempo de reanimar com graça as coisas da vida havidas no seu transe aberto. A tantos se reformará um sopro breve de felicidade, passado vivo na impressão semi-esquecida que cada qual transporta no seu íntimo. A outros, dor.
Um sorriso espontâneo e uma lágrima espontânea não se atritam. Não disputam vitória no campo emotivo de quem quer que seja. São reações, que cabem na postura dos honestos quase na mesma medida, e podem enfim ocorrer num tempo só. Há que se considerar a loucura dos sentimentos, o descontrole natural, o transe trágico e doloroso de um dado momento. Loucura eterna, não.
Um sonho findo, quando era bom, é triste; quando era triste, é bom. Pois a alegria é quem anima a vida de todos. Tem seu valor próprio, e seu valor agregado. É natural. A tristeza também é assim, quando anima o curso redentor dos mais fortes, que por ela não se abatem, nem tombam pelos quarteirões prováveis, derrotados. Neste caso, um forte “só” tem valor.
Enquanto sentimento, alegria e tristeza são essenciais. Normais quando se revelam no tempo certo. É quando se tornam suportáveis. Não a alegria, que é querida na cronologia do sempre; mas verdadeiramente a tristeza, quando intempestiva, é pavorosa.
Existe íntima a relação entre vida, sorriso, felicidade, alegria. E também entre morte, lágrima, depressão, tristeza. Algo mais que simples antônimos que contrariam a expressão adequada da escrita, mas que, acima de tudo, contrariam o sentimento.
A grande ironia da existência impede que se conheça o seu transcurso. Não há como assimilar certas coisas, como explicá-las, como entender para aceitar. Assim como o dia. Já aprendemos a interpretar seu ciclo. A entender e aceitar que as manhãs passam, aninham-se nas tardes, que se findam nas noites confusas que madrugam conjugadas. Já aceitamos que o dia se acaba porque sabemos que todo dia ele tornará nascer, sempre com o mesmo vigor e euforia. Já aceitamos, até com lauta expectativa, que a tarde cai para a noite, não sem antes nos apresentar a magia do sol poente, espetacularmente lindo e pontual. E os luares prateados em meio à escuridão azulada, e mais estrelas do que podemos contar. Sem falar dos invernos chuvosos, diluviais, que ainda assim nunca inibem a certeza de que amainarão, uma hora, ou que de fato não são eternos.
Dos mistérios indecifráveis dessa vida há que se saudar a ignorância com que contempla a todos com sua fina ironia. A ninguém ainda foi dado o saber da sua jornada. De onde se vem e para onde se vai. Por que se vem e por que se vai. Nem quando.
Isso induz à crença do sopro. Induz a pensar que sendo manhãs, todos passaremos breves e felizes para o incerto da tarde, nascidos aos poucos, mansamente, amadurecendo na curtição do tempo, brilhando com efusividade na tarde ardente, e perecendo festivos na deposição do sol. Infelizmente sem argumentos para dizer se renascidos na manhã seguinte, imediata, como o faz o dia.
Talvez, sabendo-o, não houvesse mais qualquer prazer no pôr-do-sol. Ou na alvorada... (17.06.06)


(ESCRITA EM HOMENAGEM AO BUSSUNDA, POUCOS DIAS APÓS SEU ENTARDECER)

28 setembro 2006

CONVITE



A crônica a seguir é um convite a que pensemos bem, desde hoje, em quem vamos depositar domingo, 1º de outubro, não somente as nossas, pessoais, mas as esperanças de todo o país, formado em sua maior parte por pessoas pobres e largadas aí pelas esquinas da sorte. Boa leitura.




A GENTE POBRE


Era uma rua desamparada. Aliás, rua é expressão mera da bondade de quem a define, posto que nunca se elevou além da condição precária de vereda aberta ao percurso pleno dos seus moradores infelizes.
Na sua integridade não havia luz pública, a mais das lamparinas a querosene, que fugia sem certeza de dentro dos casebres, uns de palha, outros de qualquer coisa. Fora esta, tudo era turvo e negro como o dia seguinte do seu gentio. E era este o horizonte, entre sete da noite e quatro e meia da madrugada – quando o turvo era irretocavelmente turvo. E seus sons, particulares, diferiam dos que se podia ouvir nos lugares onde a sorte sorri mais amiúde.
Ao revelar as cores, o sol iluminava antes de qualquer outro, o desespero. Nas veredas, a misturar-se com o cheiro bom do orvalho novo do novo dia, das plantas baldias molhadas pela frescura d’aurora, subia no ar o fedor medonho do desagradável: fezes, urina, de lama abraçando baratas clinicamente mortas, borra quase branca de café, rescaldo de fumo mascado e cuspido, de água suja de banho-de-cuia, de lavação de sexo, de pasta de dente usada, de sabão de coco... Tudo escorrendo entre capins diversos, malícias teimosas, flores comuns do lodo, e o verde abusivo da paisagem maldita.
E por essas paragens passavam meninos, e meninas, na carreira louca a caminho da escola, com o pensamento amputado das lições-de-casa, vibrante, todavia, no sabor da merenda, aventurando palpites sobre o teor do cardápio. Algo irrelevante para quem, como os quais, têm fome. E nos seus pés molestados chinelas remendadas, de borracha, em maior pontuação, uns até de cor alternada, até de número alternado, até de dono alternado, mais para complementar o figurino do que para proteção da criatura frágil.
Antes, junto e depois da meninada, adultos também caminhavam por essa estrada, sob os mesmos riscos, com os mesmos pés, mas sem a mesma sorte da merenda mais tarde. Por destino, em geral, a perseguição do nada, do acaso, na informalidade, mais do que trabalhista, das suas próprias vidas. Por isso, uns corriam os olhos sem muito interesse nos carros dos outros, outros os lavavam, e outros os roubavam. Uns levavam recados, outros limpeza, outros beleza. E mulheres que passavam, cozinhavam, vendiam, pediam, faziam o possível, ainda, pela vida.
Nas casas, na concepção formal do lar, parte roçada da área útil lhes servia de calçada, havendo nalgumas o plantio protegido das árvores de sombra, teimosas para vingar, que no futuro produtivo haverá de ter a serventia prática do converseiro, e das tertúlias funestas regadas a cana e fumo. Transposta, dar-se-á o visitante na sala infame, de chão batido, de paredes nuas, quando não caiadas, mostrando macabras o produto dos seus recheios. Nestas, tortos e pendentes, retratos flácidos de alguns artistas – cantores baratos, atores hipócritas, políticos picaretas e outros que de tão ordinários, nem qualificação têm. E imagens de santos, dos que concedem graças nas moléstias aos que ajudam na transposição do aperreio. A se destacar, Nosso Senhor Jesus Cristo, bonitão, olhar perdido no tempo/espaço, como que vislumbrando solidário a vida triste e escanteiada daquela gente. No seu peito santo, o coração exposto já não brilha, como em outros lares, inibido pela ação torrente do tempo, ou pela inércia dos homens que podem, ou mesmo pelas condições normais de conservação e limpeza, temperatura e pressão.
Espalhadas pelo espaço partes mutiladas de bonecas outrora belas, e tamboretes inóspitos para agasalhar as visitas. A janelinha – 40 x 50 – deixava penetrar, de um lado, a luz do dia, atenuando, do outro, o cheiro forte da pobreza que ali se fabrica. Ao se olhar para cima, num gesto errado, politicamente, a palha seca, surrada muito de muito sol, em sociedade e parceria com lonas negras, chapas com notícias do passado - rejeitos de material off-set -, papelões de geladeira triplex, e telhas transparentes para dar luz. Guerra é guerra!
Da parede obviamente lateral, uma fenda vertical do alto a baixo, tampada por uma cortina suja que já foi lilás, nos seus tempos áureos de mocidade, dá a idéia dum corredor, se não é. E vem a seguir o bequinho mínimo revestido de nada, que permite o acesso ao primeiro quarto, onde cinco baladeiras cruzam-se enroladas, numa trama de cordas inacreditável. E nada mais que isso.
Logo a seguir, noutro compartimento, a mobília autoriza a dedução de tratar-se do principal, onde dormem os pais. A cama feia, rebaixada, com seu colchão de palha ondulado, recoberto pelo chenille velho, furta-cor, sobrevive escorada ferozmente por toras de madeira resistente e pedras remoldadas, achadas nos esmos. O arcabouço do armário já sem portas, e suas partições pendentes, deixam ver o ror de panos ajuntados, amolambando o que talvez ainda possa ser usado. A mala velha, entreaberta sobre ele, preservando das fatiotas só as melhores. O espelho quebrado e desigual, portátil, pendurado no vazio da contra-parede, não reflete fielmente quem se lhe olha: parece roubar a expressão de quem lhe ri. Também por ali, entocados, vidros de loção de cheiro falso, estonteante, bandeiroso, mesmo.
Mais pra’diante, a cozinha. O par de bancos a rodear a mesa curta, malemolente, faz medo ruir. Um pote idoso, desgastado, a sustentar em seu beiço a concha emersa no seu teor suspeito, refresca a água que elastece o bucho de quem a bebe. Os fogareiros improdutivos, aquietados sobre a bancada arranjada – o caixotão do que já foi um bom fogão – aguardam a hora de funcionar. E as panelinhas, de opções restritas, se dão à guarda duma tripeça desengonçada, onde também são postas canecas empenadas de alumínio ordinário, copos improvisados de garrafinhas pet, objetos descartáveis reciclados na marra, em si mesmos, e bacias reutilizadas pela boa vontade dos novos donos, a se fazerem de pratos. Em latinhas, pequenos frascos e púcaros baqueados, repousam esquecidos temperos e tais.
Próximo, mas fora da habitação lamentável, o banheirinho deprimente, com seu espaço de lavação e asseio, e a área infecta da fisiologia. Tudo aberto ao tempo, sem teto ou privacidade, cercado em semicírculo pela palha esparsa e seca do carnaubal. Por ali, disperso, o lataral de apoio ao acúmulo funcional da água certa de todo dia. E ao redor de tudo, mato.
Nas horas fatais do dia, sempre uma tentativa imaginosa de enganar o que não pode ser enganado. Cuscus liguento, banhado no azeite do coco babaçu, e uma água-preta meio amarga, a título de café, quebram o jejum de praxe, embora não habilite ninguém à robusteza da luta. Vezes raras, pães dormidos, duros de morder, beijus rancentos de farinhada, e, na pior das hipóteses, lechos desacompanhados de q-suco. O feijão, em gritante inferioridade numérica, servido só o cheiro, em caldo profuso, e o ardiloso ardor da pimenta perigosa, despejado nas cabaças trêmulas, sob a companhia pontual da farinha multimídia. Para fechar o dia, já noite, antes da reclusão certa ao leito possível, frutas fáceis, de época, e o RA – resto do almoço – cada vez mais raro.
Dentre as pessoas, entre o som e o silêncio da noite, o que é particular é o gemido da dor, que dói na alma do pai, da mãe, do irmão que compreende; que dói no corpo do pai, da mãe, do irmão que compreende e também do que ainda não compreende nada. É o grito do desespero, do medo da hora, do amanhã, do talvez... É o estouro da irracionalidade, quando a paciência falta na prateleira da razão, quando o dia não foi bom, e também o ontem, o anteontem... É o desencontro dos interesses, a fragilidade de todo e qualquer argumento, e por fim a entrega às ilusões, ao perfume traiçoeiro do veneno, aos atalhos para o precipício. É uma sensação ruidosa de um adeus final, lamentoso, doído, consciente e cerimonioso que os cidadãos acenam, envergonhados e derrotados, aos obséquios da cidadania. (14.04.2006).

26 setembro 2006

Maus tratos

Maus tratos

Deu na Folha

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, se queixou na noite de segunda-feira do tratamento dado a ele pela imprensa. Comparando com o tratamento dado ao governo anterior, do tucano Fernando Henrique Cardoso, Lula se disse prejudicado: "Se a nossa querida imprensa brasileira houvesse tido comigo a condescendência que teve com Fernando Henrique Cardoso, eu teria 70% dos votos", disse Lula”.

Reclama de barriga cheia, pois se não foi a parte da imprensa formada por jornalistas correligionários e companheiros que lhe segurou nos piores momentos do Mensalão e outros episódios de amarga lembrança?!

Baratinho

Porque se acha mesmo o tal, Lula vive se comparando gente expressiva da consideração popular – Cristo, Tiradentes, Getúlio...

Em vão, pois ele vai entrar para a História é como um bandidinho barato, a contar pelo posicionamento dos pensadores, formadores de opinião de hoje, e dos intelectuais isentos.


Notificado

E lá o TSE notifica Lula devido ao escândalo do dossiê Serra, tendo ele que apresentar defesa em dez dias, contados a partir desta terça-feira (26).

A notificação resulta da representação feita pela coligação 'Por um Brasil Decente', formada por PSDB e PFL, e no mesmo barco estão Valdebran Padilha, Gedimar Pereira Passos, Freud Godoy, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, Hamilton Lacerda, ex-coordenador de comunicação da campanha do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso, o ex-integrante da campanha de Lula, Jorge Lorenzetti, e o ex-secretário do Ministério do Trabalho e integrante da equipe de elaboração do programa de governo de Lula, Osvaldo Bargas.

A coligação PSDB-PFL argumenta na representação que os fatos "configuram condutas passíveis de serem consideradas como abuso de poder político e econômico". Se o TSE considerar procedente a representação, Lula pode ser declarado inelegível.



Preconceito

Esclareça-se de uma vez por todas: “as elite” estão contra Lula não é por preconceito social – é por preconceito criminal.



Voz jurídica

Do advogado e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, há alguns dias, na Folha de S.Paulo:
"O crime e as graves infrações eleitorais de abuso do poder econômico e político estão, de início, caracterizados, tanto que o TSE determinou a abertura de processo contra Lula. Lembre-se, também, o abuso do poder de autoridade por ter sido a Polícia Federal orientada a mostrar dados do chamado "dossiê" para incutir a idéia da existência de fatos desairosos contra Serra e Alckmin, ao mesmo tempo em que não veiculou (como seria habitual) imagens dos presos em São Paulo e do dinheiro apreendido, o que constituiu tratamento desigual com a finalidade de interferir na legitimidade e normalidade do pleito, configurando-se conduta típica de abuso do poder político. O ministro da Justiça reconhece a proibição de imagens do dinheiro para não abalar as eleições”.
“A distribuição ao PT das cartilhas da Secretaria de Comunicações da Presidência já constituiria abuso do poder político. Abuso surgido na semana passada. Assim, a impugnação jurídica da candidatura Lula tem pleno cabimento, para resguardo da ordem constitucional”.
“Resta ao povo, antes da impugnação jurídica, que pode se seguir à eleição, tomar-se de indignação e promover a impugnação eleitoral de quem não tem condição moral para nos governar. Crie vergonha, Brasil."




Moral dos bancos

Prova de que e de como governo atual desrespeita as instituições sólidas, que se formaram no bom conceito popular brasileiro à custa de muito trabalho:

Palocci desmoralizou a Caixa Econômica Federal quebrando o sigilo do humilde caseiro.

Um pau de bosta insignificante, um tal de Expedito Veloso, vai lá, no Banco do Brasil e, por sua conta e risco, bisbilhota o histórico de um correntista alvo das investidas do dossiê Serra.

Estamos bem servidos de gestores.



Olha ela aí

Olha o que diz a dona Constituição, aquela prostituta velha que vive jogada pelos cantos do Brasil:

“São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”;

“É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”.


Quem? Quem?

Depois que foi noticiado que a Polícia Federal só vai saber de onde saíram os R$ 1,7 milhão de reais do dossiê Serra depois das eleições, fiquei me perguntando - quem é mesmo que investiga aqueles que mandam na polícia?

O povo?

É o povo?

Olha, deve ter peixe grande por trás disso. Coisa que comprometa de fato a eleição do semideus...


Diferenças

Como lá é diferente daqui, os EUA, através do FBI, que é a Polícia Federal americana, entrega amanhã a origem dos dólares do dossiê Serra.

25 setembro 2006

A QUE PONTO CHEGAMOS


Conheço meu estado quase inteiramente. A trabalho, em carro particular, percorri de canto a canto essas nossas cidades paupérrimas, dum povo sofrido, esquecido das providências governamentais.

Nessas andanças conheci de verdade o que é pobreza. O que é fome, o que é abandono, o que é miséria, o que é viver entregue à própria sorte, e o que é a falta de perspectivas.

Na solidão de nossas estradas esburacadas verti anonimamente alguns litros de uma lágrima triste, honesta, sem gosto de poesia, sem perfume, sem o constrangimento das platéias – homem não chora! – solidário com meu povo.

Por dias sua imagem me roubava o apetite, o sono, o pensamento, a atitude.

Impotente para modificar tal paisagem, mudei em mim o que podia. Melhorei como pessoa, modifiquei meu drive comportamental, inserindo nele todas as acepções lícitas do termo Cidadania. Superei as lições religiosas e passei a olhar as pessoas como irmãs legítimas, merecedoras, todas elas, de mais respeito. De todo o respeito. Tornei-me, em essência, generoso com os indefesos. Só com eles.

Foi por isso que bati e bato boca com muita gente, que se acha acima dos outros nas cidades todas pelas quais passei e passo, em defesa do homem humilde, da criança pobre, da gente miserável que está plantada no meio do nada, num estado gigantesco, fodido de tudo, de tudo, de tudo.

Gente que de tão humilde e esperançosa, se furta o direito de ter direito. Que sorri vontadosa para os olhos dos visitantes ilustres – governantes de merda que se aventuram de avião, vez por outra, por aquelas bandas, deputados safados que furtam dali dez por cento de comissão na verba solta, prefeitos infames que desconhecem os próprios conterrâneos, puxa-sacos circunstantes que se fazem de companhia no périplo inconseqüente, em nome de diárias gordas, dentre mais.

Na bagagem que amealhei na passagem pelas cidadezinhas, povoados, currutelas, ajuntamentos e aglomerados sub-humanos deste Piauí imenso, como imensamente pobre, me contorci de curiosidade para saber como fazem estes excluídos, nas suas dores de pobres – nó nas tripas, baldeamento, tonteira, gastura, dor nas juntas, ardência nos olhos, dor nas partes, “farnelzim” – se o posto de saúde não existe ali por perto, nem ambulâncias, nem telefone para acioná-las, nem doutor residente, nem remédio que cure, nem máquina de exame, nem estrada para andar depressa, nem luz pra correr no mundo.

E as crianças que vi, sem escolas, e as que as tinham, sem professores, sem merenda – exceto o q-suco mal coado -, sem cadeira, livro, luz. No presente, o futebol com a bola fuleira dada pelo vereador malandro, ou pelo pai mais folgado, o dia todo. No futuro, o cabo indelicado da enxada, da foice, do facão, da cavadeira pra arrancar pindoba.

Ah, aqueles idosos nas pontas de rua, nas portas dos bancos, nas sombras de casa com vergonha do seu tempo.

E os que não se banham, não bebem água tratada, não lavam suas roupas, suas tralhas, suas coisinhas tão simples, porque não têm sequer um veio dáqua perene. E ainda há os que inspiram poeira o tempo todo, nas ruas nuas, sem esgotos, sem calçamento, sem iluminação, sem vantagem alguma dia ou noite.

É por esses que eu torço. Para que tenham um mínimo de dignidade, uma condição humana de vida, respeito, cidadania – quer dizer, direitos.

Por essa razão, me dói ligar a tv, abrir jornais e revistas, e me deparar com propagandas “institucionais” de governos (ou de governantes) que fazem um barulho danado para dizer que meteram asfalto em estrada tal, levaram água potável a cidade tal, reformaram uma escola na cidade qual. Esquecem, de propósito, que isso tudo não é coisa do outro mundo, porque nossa Constituição – lei mais importante e desrespeitada do país - é bem clara quando diz que “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.

O Estado falhou no seu papel gerencial. É uma fraude. Uma ilusão de gestão.

O povo que dele tudo espera, não.

Permanece lá, acocorado, esperando, degustando a poeira da estrada, enquanto isso...





Frases


Li essa frase numa camiseta, outro dia, e gostei. É de Thiago de Mello:

“Não tenho caminhos novos para te oferecer, mas um jeito novo de caminhar”.

DANÇARINA DA PIZZA

Veículos da imprensa amanheceram o dia com a informação de que o TRE de São Paulo determinou a apreensão de um boletim que falava sobre a deputado Ângela Guadagnin, aquela que se tornou famosa pela dança que mostrou ao país no Plenária da Câmara.
O TRE paulista considerou que o boletim, editado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e Plásticas de São José dos Campos e Região, ofende a honra da candidata.

Quer dizer, a nossa eles podem ofender à vontade, não é?


ARROGÂNCIA E PRECIPITAÇÃO

A menos de uma semana das eleições, Lula afirmou que vai vencer no primeiro turno, sejam quais forem as denúncias.

“Eu nunca falei que ia ganhar no primeiro turno por modéstia, mas nós vamos ganhar essas eleições domingo. Se alguém acha que a campanha presidencial vai para o segundo turno, que espere até 2010. Podem fazer denúncias, façam o que quiserem”, disse ele.

Calma, Beth, calma...


INSANIDADE I

Do mesmo:

“Eles [adversários] sabem que nos meus quatro anos vou desmoralizar muitos que governaram este país”.

É só o que falta. Porque ao cargo presidencial “deste país”, sua excelência já desmoralizou faz tempos...


INSANIDADE II

De Lula, criticando aos que não votam nele de jeito nenhum, a quem chama de "elite brasileira":

“Nós estamos no meio de uma disputa política em que uma parte da elite brasileira não aceita as mudanças que estamos fazendo. Essa campanha é de um trabalhador que luta contra a elite aristocrata que manda neste país."

Primeiro: quem manda “neste país” é ele, que tem feito coisas que até o satanás duvida...

Segundo: ele se esqueceu de que há muito tempo não é trabalhador.

Se é que algum dia foi.



DEU NA FOLHA

Mais do que o churrasqueiro das festas petistas, Jorge Lorenzetti, suspeito de participar da compra do dossiê contra tucanos, aparece como sócio do presidente Lula e de Aloizio Mercadante numa ONG de São Paulo fundada em 1989.
Pelo site da Receita a entidade, a RCT (Rede de Comunicação dos Trabalhadores), continua ativa. Participam da ONG outros envolvidos no caso do dossiê: o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e seu ex-secretário no Trabalho Oswaldo Bargas.
No total, a lista de fundadores chega a 53 petistas e tem como secretário o atual ministro do Trabalho, Luiz Marinho, chefe da pasta que enviou recursos a outra ONG ligada a Lorenzetti, a Unitrabalho."

Ah, uma polícia pra investigar essa turma...



MAIS LORENZETTI

DEU NO JORNAL DO BRASIL

A história mal contada da ONG de Lurian

BRASÍLIA. O jornalista Fernando Bond, que prestou consultoria na área de comunicação em 2003 à ONG Rede 13, confirmou ontem que o churrasqueiro do presidente, Jorge Lorenzetti, foi escalado pelo Planalto, em agosto daquele ano, para saldar as dívidas da filha de Lula, Lurian Cordeiro.
Bond diz não ter testemunhado "o melhor da história", segundo ele, "o processo de extinção da Rede 13". Deixou a ONG em julho, quando percebeu que a organização não iria prosperar. Mas alertou para três pontos que teriam ficado obscuros:
- Tem que saber onde foi parar a conta bancária da Rede 13, pois até hoje não se sabe; quem irrigava aquelas contas; quanto entrou e como ficou resolvida a questão das dívidas da Lurian - alerta.
Conforme publicou ontem o Jornal do Brasil, um dos cabeças da operação envolvendo a compra de dossiês contra tucanos, Lorenzetti atuou, a pedido de Lula, como uma espécie de tutor de Lurian. Segundo investigação da CPI dos Bingos, até então guardada a sete chaves, Lorenzetti foi encarregado de equacionar dívidas da filha de Lula - de cabeleireiros, casas de festas, lojas de roupas a condomínios - momentos antes da extinção da ONG gerenciada por ela no segundo semestre de 2003.
O ex-consultor diz não saber ao certo o valor das dívidas, mas acredita que giravam em torno de R$ 70 mil.
- Lurian tinha deixado coisa pendurada em Blumenau, aí começaram a surgir os penduras em Florianópolis e o Lorenzetti foi chamado pelo Planalto para resolver a questão das dívidas - contou.
Segundo investigação da CPI dos Bingos, a solução para os problemas financeiros de Lurian passou pelo PMDB de Santa Catarina, a quem Lorenzetti teria recorrido. De acordo com reportagem publicada ontem, documentos obtidos pelo JB mostram que, em 10 de novembro de 2003, Lurian foi empregada, a pedido de Lorenzetti, na Foco Projeto Análise de Mercado LTDA, empresa ligada a Wilfredo Gomes, marqueteiro do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique. Na ocasião, a One WG, empresa do publicitário, ganhou uma concorrência para explorar a publicidade do Banco Estadual de Santa Catarina (Besc). No banco, a responsabilidade pelas licitações era de Lorenzetti.




LEMBRA DE RUI BARBOSA?

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto”.

(Ruy Barbosa, 1914)




COM CRISTO

Lula deve mesmo estar se achando.

Compara-se logo é com Cristo.



GOLPE NO GOLPE

Aldo Rebelo, também conhecido como “Boneco de Olinda”, diz que cassar o novo mandato de Lula, se reeleito, seria um golpe, caso o TSE considere que ele está envolvido no episódio da compra do dossiê contra candidatos do PSDB.

Para ele, que está se beneficiando, e muitíssimo bem, do esquemão petista, o país está uma maravilha...


CONCLUSÃO QUE ME PERSEGUE

Lula está definitivamente convencido de que o povo brasileiro é mesmo besta, e acredita em tudo o que ele diz.
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24 setembro 2006

MENSAGEM INAUGURAL



Nos últimos dias “bati” infrutiferamente à porta de inúmeros webespaços famosos, na consumação terrível de externar minha indignação com os tortuosos caminhos pelos quais vem trilhando o país, no seu ambiente governamental.
Por conta dessa dificuldade em acessar colunistas, blogeiros, formadores de opinião, enfim, achei por bem criar este espaço, ainda que a repercussão seja algo mais tímida. A mais que isso, contribuiu também para a decisão o estímulo do grande amigo Marcus Cavalcante (mcavalcante.blogspot.com/), que me deu as orientações fundamentais.
O que vou fazer aqui!?
Comentar notícias da imprensa, publicar peças literárias (de minha autoria e de outros), dar palpites em quase tudo, contar piada, veicular fotografias, indicar sites e espaços da web, abrigar comentários, por aí...
Vamos ver como é que é? Então ta. Vou começar com o relato sobre assunto bem recente, envolvendo a inscrição no vestibular da Uespi.



INTERNET PARA QUÊ?

Na última sexta-feira (22/09/06) encerraram-se as inscrições para o vestibular da Universidade Estadual, a Uespi. Como todo brasileiro que se preza, também deixei para inscrever-me, ou entregar a documentação exigida, efetivando a inscrição, só no último dia, embora houvesse imprimido o boleto, respondido a um indiscreto questionário, e preenchido a ficha, pela Internet, na quarta-feira (20).
Sexta pela manhã compareci a um dos colégios autorizados, onde tentei entregar os comprovantes: de pagamento da taxa, por sinal bem salgadinha - R$ 80,00; de que eu sou eu (cópias do RG e do antigo CIC – o meu é CIC mesmo, não é CPF); de escolaridade; além da ficha de inscrição. Lá, entregaram-me um formulário trabalhoso para eu, além de preencher, riscar um bocado de letras e números, tipo cartão-resposta de prova de concurso, que, desatento, errei e borrei em vários lugares. Por cada novo formulário cobravam R$ 2,00. Antes de tudo, lembrei à mocinha simpática do atendimento, que já havia respondido ao tal formulário pela Internet, e estava ali com a folha impressa de todo o processo, conforme instrui o edital que li no site da instituição. Responderam que inscrição “com negócio de Internet pelo meio” só na própria Uespi. Para onde fui.
Às 14:05 h entrava na fila monstro e lerda do Campus Clóvis Moura, no Dirceu Arcoverde, justo onde pretendo estudar, se aprovado. Procurei-o, ao invés do Pirajá, que era pra não ter desculpa besta. Às 17:05 h estava na sala onde quatro servidores devotados recebiam as inscrições. O que me atendeu perguntou logo, repetindo feito papagaio louro, do bico dourado, pela ficha de inscrição – que outra não era senão o tal questionário de dois reais. Mostrei a ele a danada, impressa do computador. E ele, irredutível, insistia que era necessário o formulário. Invocado, alterei a voz:
- Que negócio de formulário, cidadão? Se eu fiz a inscrição “on line”, pra que questionário?
E ele insistindo no tal papel. Parecia um diálogo entre “Seu Popó” – aquele personagem do Chico Anísio -, e o Bill Gates. Aí estourei de vez:
- Me diga uma coisa: se a inscrição “on line” não funciona, pra que é mesmo que vocês a oferecem na Internet? Aquilo existe é justamente para facilitar as coisas. A droga desse questionário vai passar por uma leitura ótica, e essas informações vão cair justo no sistema onde já estão aquelas que passei pela Internet.
E arrematei:
- Por isso mesmo eu não vou riscar questionário coisa nenhuma.
Nessas alturas, o segurança já estava à porta da saleta, observando a confusão, que se dissipou quando um jovem, também do atendimento, intercedeu e esclareceu todo o imbróglio.
É que a inscrição “on line” é para quem está longe dos locais de inscrição “presencial”. Ali o candidato acerta todo o procedimento e depois envia pelo Correio, em carta com AR (aviso de recebimento), a documentação comprobatória – a mesminha que tentei entregar nas mãos dos recepcionistas da Uespi.
Em assim sendo, tem-se que desembolsar alguns trocados com a tal carta com AR, para que seja efetivada a inscrição.
Tudo porque a cabeça pensante que preparou o edital cometeu um erro primário – ou de não explicar a quem se destina a inscrição via Internet; ou de não explicar, aos interessados em geral, que “on line” é só para distantes.
Compreendeu?


TEMPO ANTIGO

Para quem não me conhece, esclareço que sou do tempo, não muito distante, em que partido político, e político, principalmente, mexia era com voto, e não com polícia.


HISTÓRICO

Quando terminar a Era Petista na Polícia, digo Política, os grandões de lá não terão currículo.
Terão Prontuário.


NA JUSTIÇA

Li na Imprensa:
A linha da defesa que o advogado da campanha de Lula, José Antonio Toffoli, deve apresentar nesta semana na investigação judicial instaurada pelo TSE para apurar a compra do dossiê contra os tucanos será desvincular o episódio da campanha nacional. Para ele, não houve "benefício ao candidato requerido”.

Realmente, houve mesmo foi prejuízo.


CASH

Na infinita maioria dos comentários a matérias veiculadas na Internet, acusa-se a Igreja Universal do Reino de Deus de ter “fornecido” os reais da compra frustrada do tal Dossiê.
Porque é só ali onde tem dinheiro ao vivo e a cores, fora da rede bancária.


CARA DE PAU

Finda a eleição, especialmente a presidencial, terá acabado o estoque de Óleo de Peroba colocado à venda nas casas do gênero.


PAULO BETTI

Se colocar a mão na merda já é uma merda, permanecer lá será o quê?

E já que o assunto é esse, fedorento, pode-se afirmar com toda certeza que esta deve ser a tese que impulsiona os petistas a fazerem tanta cagada...


ÉHTI

Da Folha de São Paulo:
“Num discurso predominado por críticas aos tucanos e à imprensa, mas sem fazer nenhuma citação direta ao "dossiêgate", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em comício em Araraquara (SP), ter mais ética e moral do que todos os adversários juntos”.

Valei-me...