Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

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Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

03 novembro 2006

MÃOS LIMPAS



Em entrevista a jornais europeus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, segundo a "BBC Brasil", que o país precisa de uma "Operação Mãos Limpas", em referência ao processo que nos anos 90 debelou um esquema de corrupção que mudou o cenário político italiano. Na entrevista ao italiano "La Repubblica", o espanhol "El País" e o francês "Le Figaro", Lula destacou a necessidade de uma reforma política para eliminar a corrupção.
"Não acredito que a reforma política resolverá tudo. Precisamos do trabalho da Justiça para acabar com a impunidade", disse o presidente, em trecho destacado pelo "La Repubblica". De acordo com a "BBC Brasil", Lula se disse "orgulhoso" do que chamou de "batalha contra a corrupção" em seu governo. Segundo o presidente, a Polícia Federal realizou 300 operações anticorrupção entre 2003 e 2006, contra 48 nos oito anos anteriores.
Lula qualificou de "golpe duríssimo" o envolvimento de membros do PT em denúncias de corrupção, mas afirmou que o dever do governo é ser "intransigente". "Todos os que estão envolvidos em acusações de corrupção devem ser processados, nenhum deles terá proteção do meu governo", declarou.
Portal G1


COMENTO: Que cara-de-pau, rapaz!!!


CONTRÁRIO

Amigo confidenciou-me que gente de suas relações anda zangada comigo porque só falo mal do Lulla, aqui no blog.

Em resposta a este e outros que assim pensam, digo:

1. O blog é meu, e escrevo o que quiser;

2. Também tenho o sagrado direito de opinar;

3. Ele que faça seu blog para elogiar;

4. E eu me importo?



TÁTICA

Quando digo que temo o futuro do país nas mãos em que se encontra, tomo por base a grande tática delles de abater os problemas.

É que eles partem para desqualificar as coisas – instituições, pessoas, atitudes.

Explico melhor: o petista é pego com dinheiro na cueca. Ora, o que são esses míseros trocadinhos em poder de um subalterno do nada? Olha, isso aí todo mundo faz todo dia.

Ou então, o cara é preso com quase dois milhões de reais na suíte dum hotel. Tem nada de mais, afinal dois milhões são uns trocadinhos, e estavam em poder de um sujeito irresponsável, que não vale nada, e nem do partido é mais.

Ou, ainda, que o acusador diz que viu a negociação entre petistas – aí partem pra cima do acusador com força: Ah, esse é um criminoso, já esteve preso várias vezes, não tem força moral pra acusar ninguém.
E assim eles vão. Roubar? Ora, isso todo mundo faz. Corrupção? Isso é besteira. Caixa 2? Oh, meu caro, isso é prática comum no mundo político, todo mundo faz, e nós só deixamos de contabilizar uns tostões – tem nada de mais.

31 outubro 2006

VOTAR OU VOMITAR?

Pessoa da minha mais alta estima provocou ontem o inevitável diálogo pós-eleitoral. Atento, ouvi sua explanação sobre Lula – de que realmente ele nasceu para brilhar, para ser grande, e que só uma pessoa, como ele, que já passou fome, sabe o que é amanhecer o dia e não ter o que comer. Que já dependeu de transporte público, de hospital público, e sabe bem o que é isso. Que este é o homem certo para o cargo, pois já foi preso, humilhado. Viveu sob salário curto, e literalmente comeu o pão que o diabo amassou. Não teve oportunidade de estudar. Foi retirante. É um homem muito inteligente, que deixou o mundo todo de boca aberta. E aquele blá-blá-blá que todo o mundo conhece bem.

Ao seu silêncio, afirmei: “Prá você ver o que não faz a mídia. Você caiu justinho no conto que o marketing eleitoral deles preparou para o povo desatento”.

Salientei que também já passei fome - graças a Deus por um período curtíssimo -, e nem por isso acho que esteja preparado para governar meu país. No máximo, aprendi a ser solidário, a respeitar os que têm fome, a repartir o pouco que tenho, quando possível; a ser generoso, compreender as atitudes dos mais fracos quando se rendem ao perfume traiçoeiro do ilícito, no afã de respostas rápidas, ou quando se curvam humildes à passagem dos que seu entendimento qualifica de graúdos.

Dependo de transporte público. Aqui e ali, da saúde pública. Sei o que é isso. Meu filho mais novo, ao contrário dos dois mais velhos, nasceu em maternidade pública. E pela bondade de Deus, teve a sorte de vir ao mundo pelas mãos de um homem digno, um médico competente, desses que nasceram para a profissão. Atencioso como são poucos na rede pública. Salve, salve Maurício Nogueira! Pois é, e quase não pude vir o moleque, sei lá por qual razão administrativa daquela maternidade. E em tempos ultra-bicudos, fui pelas madrugadas marcar lugar na fila, para garantir consulta a esse cidadãozinho, às vezes sem sucesso. E nem por isso, ainda me sinto capacitado a governar meu país...

Também já fui preso. Calma! Fui “depositário infiel”, numa ação da Justiça Federal. Dei uma máquina de escrever como reforço de penhora em questão de dívida ativa, ali inscrita por não haver pagado multas aplicadas por fiscais denodados da Delegacia do Ministério do Trabalho nos meus tempos esquecidos de patrão. Resultado: morava eu em Parnaíba, e numa noite vulgar me bateram à porta dois agentes da ex-briosa Polícia Federal, e me depositaram numa cela lamentável, e graças à infalível bondade de Deus sem qualquer companhia, da Penitenciária Mista da cidade, que é de Segurança Máxima, onde atravessei aquela noite de 30 de abril para 01 de maio de 1996. Ao amanhecer, policiais despachados diretamente de Teresina para a “missão” me trouxeram algemado até Campo Maior – aonde, penso eu, acordaram, e resolveram perguntar o que fiz para estar naquela “enrascada”, após o que viajamos como três bons amigos em férias.
Só depois de dois dias “engradeado”, soube que o total da dívida que, uma vez paga, me devolveria à liberdade, custou a metade da diária que os dois agentes receberam para ir ao litoral me “buscar”. E a nossa “Pátria Mãe Gentil” amargou o prejuízo de bem o quíntuplo da dívida ativa recebida. O Estado é uma graça!!! Burro, burro, burro... E eu, nem por isso, depois de humilhado, de ver o meu dinheiro de contribuinte se esvaindo pelo ralo devido à estupidez de juízes idiotas, como aquele gordinho de quem ri pra caramba, lá mesmo na sede da sua Justiça, me senti capacitado para governar o meu país.

Oportunidade de estudar? Tive sim. Abandonei a universidade, pública, porque quis. E isso também não me faz capacitado para governar meu país. Até porque nunca parei de estudar, e perseguir os melhores paideumas. Nada me foi imposto em termos de leitura. Ninguém, exceto o mundo, “fez” minha cabeça.

Diferentemente delle, nunca me “retirei” do Nordeste. Nem pretendo. E acho mesmo que isso não tem nada a ver com capacidade de governar um país.


Agora, falando da eleição, só fico meio assim porque essa rapaziada vai recorrer sempre à quantidade de votos que elle teve, para dizer que é a vontade do povo. E como se diz, a vontade do povo é a vontade de Deus. Não é verdade? E que por isso, elle pode fazer o que bem entender, porque está ungido pela vontade enlouquecida do povo. Será a de Deus?

George Washington disse bem que não se engana a todos durante todo o tempo. A capacidade de governar delle já é conhecida, e bem justificada pelo próprio, quando recorreu sempre ao “eu não sabia” para se eximir das coisas mais feias que um governo já patrocinou na história “deste país”. Quanto ao que fez de acerto, aliás soberba, senão única, obrigação de quem está à frente dos destinos de qualquer povo, não foi lá grande coisa, se bem analisada. Aquela maçaroca de números, sei não, mas se estivéssemos num país sério, uma bela auditoria viria a calhar. Mas, no Brasil, com a Justiça que temos? Vai sonhando...

Penso que deram a elle um cheque em branco. Vamos esperar um pouco para que tudo se repita. Aí, seguramente diremos apenas e tão somente que cada povo tem o governo que merece. Sabe por quê? Porque o brasileiro vota como quem vomita.

Além de não sair dali nada que preste, no outro dia esquece do que botou pra fora.

E que Deus, o eterno senhor recorrente das horas tristes e dolorosas, tenha piedade de nós. Aliás, vou ficar por aqui, pra deixar o homem trabalhar. O Homem Deus, pois não?


PS.: LÁZARO, MEU IRMÃO, IDOLO E PARCEIRO DO QUERIDO DELEGADO LUA, SÓ A LICENÇA POÉTICA PRÁ FAZER VOCÊ TIRAR ESSE BORDÃO PRÁ ELLE...

29 outubro 2006

UMA CRÔNICAZINHA

AS BODAS


Amanhã vou casar.

Quero festa, flores para perfumar todos os ambientes, gente muita para testemunhar as cenas, parentes, amigos, mesmo que não sejam aqueles de fé, que a cada dia diminuem mais em quantidade e qualidade.

Quero um juiz avexado, que pergunte logo se aceito ou não esta outra condição de casado. Que não se conforme com o atraso da noiva, nem repita a ladainha da intolerância. Que se retire, conveniente, ao garantir no seu livro o autógrafo dos padrinhos. Que nem brinde, nem faça piadas, uma vez despido da toga expressiva.

Mas quero padrinhos alegres. Que bebam comigo até que sequemos a última garrafa do melhor dos meus vinhos. Ou que tombem embriagados pelos tapetes da sala, e beijem seus filhos, cumprimentem os empregados, me abracem em sinal de intimidade, mas que não maculem o véu solene da minha noiva, com carícia, palavras, atitudes exageradas.

Quero zoada. Meninos correndo atrás de meninas, gritinhos, algazarra e folia – alegria, pois afinal é festa. Gargalhadas, riso aberto, sem medo, sem culpas. Comida à farta, músicas delirantemente belas, fartura de tudo.

Quero um tempo mágico, como se estivesse parado, sem obrigações, sem pressa. Um tempo de dia nublado, ameaçando chover, fanfarrão. Onde os pássaros sejam mais amigáveis; o vento seja mais envolvente, lento, propositivo. E o coração de todos mais honesto.

Quero uma noiva impecável, como se nunca a tivesse visto antes. Que falasse menos do futuro e dos outros, e me cobrasse menos, e me alentasse mais com seu sorriso, com seu olhar de paixão. Que me cantasse nos ouvidos a paz da sua alegria, e se fizesse presente sem impor seus caprichos, suas insatisfações. Que me trouxesse aos lábios sempre um prenúncio de riso ao manifestar seu amor, movimentando os olhos, as mãos, os cabelos, a ponta da língua entre os dentes.

Pois é. Quero uma festa pra sempre. Não pelo caso simples de sua folia, mas pela simbologia enorme da sua passagem, pelos fatos que ambienta, pelas sensações que anima. Quero que este momento fique e pronto: nunca se acabe, porque depois de amanhã – ah, depois de amanhã começará a vida sem graça de toda a vida.

(EM HOMENAGEM A OSCAR NIEMAYER - 98 ANOS, QUE ACABA DE ANUNCIAR SEU CASAMENTO, PARA BREVE, COM VERA – 60 ANOS, SUA SECRETÁRIA HÁ 03 DÉCADAS)