Corrupção e Civismo
Já se vão bons dias desde que publiquei aqui o último comentário.
Graças a Deus estava ocupado, trabalhando, suando pelo ganho honesto do meu pão. Do meu e dos meus.
Talvez, estivesse com tempo, pusesse aqui alguma nota desencantada com os homens público do país, ou desse estado pobre e miserável, paraíso da mediocridade. Esses, aliás, são o alvo, o tema e o receptáculo de tudo que é crítico, de tudo o que se escreve e comenta a título de reparo. Sinal de que alguém ta vendo...
Se não escrevi, pensei.
Vez por outra, admito, fiquei com vontade de escrever, de comentar os fatos desastrosos de sempre. Mas, de alguma forma sabia que logo, logo surgiria outra presepada, e que no seu acaso estaria então disponível para comentá-la.
Ei-la: Operação Navalha.
Antes de tudo, declino a convicção mais forte que tenho, a despeito dos partidos políticos e dos próprios: o PMDB é o partido que abriga nos seus quadros o maior número de picaretas, bandidos e cabras safados “deste país”. Não perde nem para o PT. Talvez empate.
Um país que se deixa governar por um sujeito como esse que ta aí, não pode ter juízo. E não pode ter também outro destino.
Aliás, o Brasil não é um país. Também não sei o que é. Mas com certeza não é um país, porque não tem a dignidade de um país, a decência de um país, os compromissos de um país, o povo de um país. E isso não começou com FHC ou com Getúlio – vem da colonização.
Viver-se-á, até os dias terminais de cada brasileiro, a cada dia um novo escândalo.
O poder público, que ao ser criado preconizava o princípio da organização de uma representatividade em prol do conjunto de seus cidadãos, transformou-se numa bicheira que consome a parte sã e a parte condenada dos tecidos, apodrecendo as frações.
É algo tão distante do cidadão que representa que parece uma congregação à parte – independente, desconexa, à parte. E de fato é.
Governos aqui não se prestam à obrigação de gerir o que é de todos, para todos. É certo que a enormidade do Estado colabora para isso, assim como é bem verdade que, na mesma proporção que a população esticou, a coisa ficou descontrolada. Fora de controle.
Por trás dessa empanada, sob a coberta dos sigilos, na frieza dos gabinetes, esse ponto adverso passa a beneficiar os espertalhões, nos artifícios que a corrupção mais ama – a capa infestada de boas intenções e simpatias, e o miolo perverso, demoníaco, desviando para os bolsos apátridas a fortuna de toda a irmandade.
Os favores do poder público, ingrediente nefasto de todos os poderes, infelizmente se repartem entre os grupos. Mas essas congregações estão perdendo a noção de base das suas ações: antes seguiam os pretextos, e corroíam por dentro suas atitudes, no afã de tirar o seu; agora, não – aboliu-se a justificativa dos atos, das ações públicas, de tudo, e se promove o festival de equívocos e de venalidades, acima de todos, indiferentes às opiniões, aos conceitos, às possibilidades de um provável escândalo.
Autor de um pequeno assalto no interior do Piauí, preso, o malfeitor “gozava da cara” do policial, no interrogatório, dizendo: olha, otário, você pode é pirar, mas eu não digo onde entoquei a grana. Porque quando eu sair daqui vou gastar ela todinha, e você não vai ver nem um centavo.
Duas coisas visíveis no pronunciamento do Exmo. Sr. meliante:
1. A certeza de que em pouco tempo a liberdade lhe sorrirá, outra vez;
2. A pena, a ser cumprida, será o pagamento pelo crime cometido.
3. Sugere o preso que seu algoz costuma se adonar dos recursos apreendido com os ladrões.
No plano institucional, sob o perfume ambiental falso, e no glamour dos palácios e palacetes, por onde as decisões transitam sem a menor cerimônia, especialmente as bandidas, quando o corrupto vai flagrado oferece três comportamentos, senão quatro:
1. Faz-se de vítima, de desentendido, de honesto, de magoado e de perseguido por um subgrupo sem nome, que ninguém conhece ou supõe;
2. Guarda a certeza de que vive um terrível transe passageiro;
3. E a certeza de que a liberdade uma hora virá, sendo a detenção temporária o tributo devido, e a ser pago, “limpando” a história suja dos seus integrantes – repito, nas três escalas do poder;
4. Cumprida a pena, que nesses casos não tem passado da execração pública, e da privação da liberdade por duas ou três noites, se tanto, a malta de corrupto passa a rir de quem lhes olha, condenado, e se vai pelo mundo como se nunca tivesse praticado nenhum ato sujo. Às vezes, se fazem parlamentares, ou assessores governamentais, e circulam por aí importantes.
Não dá mesmo para acreditar que somos um país.

1 Comments:
Juro que nas últimas duas semanas tenho pensado muito em aceitar um bom cargo público, ou uma ssessoria dessas que nos dão facilidades para entrar em esquemas. Estou caminhando para a aposentadoria e a única certeza que tenho é que serei massacrado pelo INSS. Deve ser bem pior que amealhar ilicitamente alguns trocados em empreiteiras et caterva, fazer um pé de meia seguro, mesmo correndo o risco de passar um par de noites sendo bem tratado na carceragem da PF, como um homem público digno e honrado.
Postar um comentário
<< Home