Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

Nome:
Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

02 outubro 2006

A SENTENÇA MORTAL



E por fim tombou irreversível em seguida ao disparo. Agonizou por instantes na naturalidade do chão, como que ironizando seu desconforto evidente.
O marginal, embora sem pressa, esqueceu de levar consigo o anel expressivo da formatura distante, que agora esvazia seu valor enquanto jóia no dedo mínimo da vítima importante. De valor algum como lhe ficou, aliás, a casa bela, de varanda longa e piscina; os carros negros e as motocicletas velozes; os relógios suíços e as vestes esporrantes de luxo e gosto; a mulher linda e o saldo bancário extraordinário.
Sua memória, ao revés, ficou cara. Indignaram-se os que nunca lhe tocaram a mão, os amigos, e a família, com a selvageria dos dias de hoje. E a Polícia se desfez em eficácia, engradando, rápida, o meliante.
Nas cercanias do poder decidiram dar seu nome a certa rua – a bem da verdade, por agora, só um vão desimportante duma vila qualquer! Outros mais falaram do extinto no microfone do plenário – todos de bem. O padre, num testemunho vacilante, encomendou aos céus, no sétimo dia, clemência a tal ovelha. E nuns, mais, a saudade doeu com força.
Passada a comoção, e a citação recorrente, soltaram-lhe o algoz. E seu verdugo, de fato, passou a ser o sistema.

Na terceira noite da liberdade, o rapazinho tolo se desespera com a indigência. Aprecia o tráfego inteiriço das motos voadoras, e se morde de raiva por seu impedimento e pobreza. Não processa na urina sua impossibilidade: ao contrário, atiça-se objetivo para conseguir seu ardente desejo. E se droga dos meios mais loucos. E se atira na ilusão. À sua frente, feito alvo, o súbito, inocente como é bem comum aos súbitos, às vezes pai, filho, irmão, amigo, patrão, empregado, marido – e até tudo junto – que recebe voz de assalto. Ora se anulam, ora reagem. No mais dos casos, nem importa: o marginal atira. E a vítima tomba irreversível, sem vida.

A CHANCE DE MUDAR


O Nordeste brasileiro ganha a chance de se redimir da grande bobagem que fez, dando tão grande maioria ao Sr. Lula.
Neste segundo turno, pense melhor. Ou melhor, pense.
Reflita um pouco, você que se beneficia do Bolsa Família. E para auxiliá-lo, palavras de Cristóvão Buarque, senador, que ficou em quarto lugar nas eleições recém encerradas, e que foi o criador da mãe de todas as bolsas – a Bolsa Escola:

Fala Cristóvão:

“Quando criei o Bolsa Escola tive a intenção de manter a criança na escola, pois o programa previa essa contrapartida: só recebia aquele dinheiro a criança em idade escolar que freqüentava regularmente a sala de aula. O Bolsa Família, programa que o Governo Lula adaptou somando todas as bolsas, desvirtuou tudo, e quer manter o povo pobre, a única condição que exige para beneficiar as pessoas com o auxílio”.



PETRÔNIO

E como dizia Petrônio Portella, ”só não muda quem se demite do direito de pensar”.

01 outubro 2006

FATALIDADE



Impresionante como todo dia, nesta campanha eleitoral de 2006, tem acontecido acidente com os candidatos, quando não de carro, de avião, ou helicóptero.
E até agora não morreu um filho da puta desses....

Juízo e Inteligência



Esse menino por quem tenho grande admiração e especial amizade, é um fenômeno. Sinto-me tão “miudim réi” quando o leio, ou escuto sua graça rotineira – se admiro quem sabe rir (oí Ferrezim), imagine quem sabe fazer rir – que lamento sempre a brevidade do tempo quando nos encontramos.
Poncion tem muito juízo. E para acabar de lascar, tem muita inteligência. Vou insistir mais com ele para fazer-se literato, publicando livros com suas estórias.
Vide exemplo (DIARIO DO POVO.01.10.2006)


Dos filhos deste solo és mãe gentil...
(*) Poncion Rodrigues

Em momento de grande risco para sua integridade restante, o Brasil vota hoje em eleições com improvável vocação para as mudanças estruturais e morais de que tanto a nação necessita.
Tudo indica que, indiferente à encenação que acontece em seu redor, o eleitorado, na sua maioria, marchará contente e festivo rumo ao alçapão armado com requintado planejamento. As pessoas votarão nos piores, como tradicionalmente o fazem. O lado bom é que a coisa está tão preta que vai valer a pena assistir a angústia dos eleitos, na tentativa vã de tornar pior o “impiorável”.
Doeu-me a alma quando, no início da semana, assisti em bem produzido documentário de rede nacional de televisão, um painel cruento da sociedade brasileira, englobando desde as tragédias dos infelizes nas grandes cidades, até o flagelo dantesco da fome, ignorância e carência de tudo, nos “Sertões e Veredas”.
Esfacelando todos os parâmetros do que possa ser chamada dignidade humana, os governos (todos) vêm mostrando com sádica crueldade sua histórica vocação de predadores do próprio povo. Este povo, que diferentemente do que trombeteiam as charmosas e ufanistas propagandas de suposta evolução social e crescimento econômico, rasteja atarantado, prisioneiro dos seus múltiplos e aparentemente insolúveis problemas.
Com especial zelo construiu-se e se fez consolidar uma estrutura de educação, extemporânea em relação à modernidade; criminosa em relação às metas de limitar o conhecimento e bloquear consciências; macabra nos subterrâneos de suas verdadeiras intenções. O resultado aí está: em sua maioria, um povo alienado e esperançoso no cumprimento de primárias necessidades, como o direito de não morrer de fome para os sertanejos e de acesso a emprego e renda, segurança pública e saúde dignas, eternamente prometido pelos mesmos atores de sempre (ou seus herdeirinhos), aos desvalidos zumbis deste país de Macunaíma.
...OH, PÁTRIA AMADA BRASIL!

(*) Poncion Rodrigues é Médico