VAMOS INSTITUCIONALIZAR A CORRUPÇÃO?
A corrupção parece que vai nos vencer pelo cansaço.
Puts... como é constrangedor dialogar com interlocutores que confessam sem meias-palavras que já não suportam mais meu papo, repetitivo, sobre essa história de corrupção, do novo sentimento implantado no país pelo pessoal do PT e seus métodos massacrantes de tomar de conta do governo, e da falta de vergonha que triunfa no cenário político “deste país”.
Por mais que os crimes sejam renovados, reformulados, por mais que se denunciem ou descubram novas falcatruas de senadores, deputados, gestores públicos em geral, acham meus interlocutores que estou me repetindo.
Nas próximas eleições, porque não abriram o olho, os eleitores, independente de terem me ouvido “repetir” a ladainha da corrupção, vão votar nesses mesmos bandidos, e eles vão continuar lá, roubando nossas possibilidades, o futuro dos nossos filhos e netos, desmanchando os conceitos e sentidos da dignidade.
Essa bandidagem não tem limites.
Nos últimos anos, ouviu-se falar em sanguessugas, em aloprados, na máfia do ‘jogo do bicho’, em navalha, dos caça-níqueis, em caso Renan... No plano federal, sem esquecer a precedência do caso dos hemoderivados, que envolveu o ex-ministro da Saúde Humberto sei-lá-do-que, do mensalão, e do prodigioso filho do Lulla, que de penteador de macaco em zoológico, passou a fera da informática e do empreendedorismo, fazendo-se milionário numa velocidade impressionante.
Aqui pelo Piauí, tem as riquezas governamentais, que enriqueceram e fizeram magnatas um bocado de gente rapidinho. E não é de hoje.
Nessa semana que nem começou direito, vi-me chocado com matéria veiculada num site, o 180graus.com, inclusive ilustrada com o símile do depoimento de dois rapazes envolvidos num assalto ocorrido nos domínios do ex-deputado e ex-ministro João Henrique, que todo mundo conhece em Teresina pela alcunha de João Maguim, mas que num processo estúpido de enriquecimento acelerado anda gordo, que é uma beleza!
Pois bem. Vejam que situação intrigante.
Um dos meliantes presos diz categoricamente, em depoimento prestado diante de promotor de Justiça dos mais sérios desse Estado, que participou de assalto a uma empresa ligada a João Henrique, de onde foi levado um cofre, que continha cerca de um milhão de reais, partilhados entre cinco elementos. João Henrique nega a posse do dinheiro. Aliás, vem negando desde que começaram a noticiar o roubo, ocorrido no tempo da reeleição do atual governador, ano passado. Suspeita-se que o dinheiro seria usado para comprar votos, facilitando a reeleição.
Pois bem. O meliante preso deu parte do que lhe coube ao concunhado. Este, como todo pobre que se preza, cuidou logo de comprar um carro. E caiu na besteira de dizer ao dono da loja que o veículo deveria ficar guardado ali até que pudesse aparecer com o veículo em casa. Dias depois, o tal comerciante marcou encontro com o comprador, em local afastado. Lá, foi pressionado por dois policias civis, um deles parente do comerciante, que exigiam dinheiro do incauto elemento.
Meses depois, o concunhado foragido telefona ao incauto, pedindo que lhe apanhe no aeroporto. Na saída, são abordados por três policias civis, diferentes dos dois da vez anterior, que lhes rendem, colocam numa viatura civil, e passam a circular nas imediações da Polícia Federal, pressionando para que entreguem parte do dinheiro roubado do “deputado” João Henrique. Do estacionamento da sede da Polícia Federal os meliantes são levados até a delegacia do 1º Distrito Policial. Taca e pressão, taca e pressão, até que o concunhado foragido entrega aos “policiais” parte do dinheiro que ainda possuía.
Liberado, soube que cada um dos outros integrantes da quadrilha já havia sofrido pressão dos “policiais”, e a estes entregue bons trocados do montante apurado.
E João Henrique continua negando o assalto.
Parece filme americano, mas não é.
Vamos reparar bem na história.
Primeiro ponto interessante: o depoimento foi dado no início de maio, mês passado. Só agora foi dado ao conhecimento público. Só o Portal já citado publicou a notícia. Ninguém, nenhum órgão de comunicação repercutiu-a. Por que será, hein?
Embora eu saiba que nossa imprensa tem essa infame mania, de não repercutir o furo dos outros veículos, numa tentativa ou de desacreditá-lo, ou desvalorizá-lo, o que dá no mesmo, lamento que fato de tamanha gravidade sucumba à falta de profissionalismo.
Segundo ponto interessante: o dinheiro existe, saiu da posse do “deputado”, que não pode dizer que era seu, ou dos seus companheiros políticos, porque senão...
Bem, um milhão de reais é uma senhora bolada. Como seu dono explicaria a origem, os motivos de tanto dinheiro em espécie, e mais ainda num momento eleitoral. Se bem que a gente lembra do vereador Ferreira, na campanha de 2003, onde seus cabos eleitorais e parentes andavam com uns trocados para aliciar eleitores, e a Justiça o absolveu – não cassou seu mandato. Isso é besteira, né não?
Terceiro ponto interessante: os ladrões roubaram o cofre, com o milhão do “deputado”. As evidências existem, facinhas de serem reunidas como prova.
Um dos meliantes, que está preso, disse aos comparsas que não poderia aparecer na cena do roubo, porque poderia ser reconhecido, já que trabalhava para o “deputado”, e que sabia do local onde estava o dinheiro porque participou da transferência do cofre - do escritório político do “deputado” para o local do assalto.
Quarto ponto interessante: os policiais formaram uma curiosa rede de extorsão, agindo ao arrepio da lei, valendo-se do privilégio das informações institucionais, e de certa maneira participaram do roubo ao cofre do “deputado”.
Os ladrões extorquidos dizem-se capazes de reconhecer os “policiais”.
É de se esperar que esse caso não fique amarrado ao dito popular, de que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Nesse caso particular, perdão multiplicado por três, porque foi ladrão roubando ladrão, que foram roubados por outros ladrões.
Haja perdão!

5 Comments:
Paulo eu não descarto qualquer possibilidade desse assalto ter ocorrido. De jeito nenhum. Mas é uma coisa tão fantasiosa que mais parece roteiro de cinema. Como jornalista tentei pegar o fio da meada, pela via correta da apuração, e o que de fato existe são suposições. Está mais para barrigada do que fato concreto. Faço algumas perguntas para as quais não há resposta equilibrada:
- Por que diabos se faz a transferência de um cofre quando se pode simplesmente transferir dinheiro? Qual a segurança de um cofre que pode ser carregado como se fosse uma maleta? E por que este cofre ficou assim jogado sem qualquer cuidado se havia nele mais de um milhão?
- E esse milhão era em cédulas de quanto? Caberiam em um cofre-maleta?
- Que assaltante mané compraria carro e o deixaria na revendedora, ainda dando dica de que pagou com dinheiro ilícito?
- Que policiais são estes que tentam extorquir dinheiro ilícito, se contentam com só um pedaço e deixam bandidos vivos para contar a história?
Por mais que eu queira fechar as contas de raciocínio para começar a imaginar no roubo de um milhão não dá. Em notas de cem reais teríamos 10 mil notas, ou mil pacotinhos de mil reais. Só isto já me daria um volume enorme e que necessitaria de um cofre fora de padrões. Portanto se me derem um desconto eu vou acreditar que houve o magistral e esperto assalto. Palmas para os bandidos.
Marcus, nos dias de hoje, depois desse petismo governamental não duvido mais de nada. As evidências existem, e o próprio secretário de Segurança diz que a investigação está em curso. Aliás, ele afirmou, e o delegado Bonfim confirmou tudinho. Afinal, a documentação do simile é oficial.
O secretário inclusive disse que na sua carreira é a primeira vez que vê um caso onde a polícia trabalha em sentido oposto ao normal - ou seja, não corre para descobrir os bandidos, mas para descobrir a vítima. Isso eu acho kafkiano.
Ora, nossa polícia, a gente sabe, é um covil de canalhas, com raríssimas, muito raríssimas exceções. Nossa política, igualzinho. E nosso bandido, quando não é pobre de tudo, conveniente com a miséria local, pobre de cultura, de interesses, de ambições, de dinheiro, de tudo, enfim, é à toa.
Acho que você leu os papéis errados, sobre o assunto. E reafirmo o que disse sobre nossos profissionais de imprensa. Os documentos são terrivelmente incriminadores. E existem.
Amigo Paulo.
Sem querer criar polêmica.
Sou puta velha em jornalismo e sei diferenciar documentos que realmente valem à pena. Portanto não li os papeis errados. Reafirmo o que disse no meu comentário: "não descarto qualquer possibilidade desse assalto ter ocorrido". Acho até que a coisa é muito mais comprometedora que apenas uma ação de bandidos, em conluio com a polícia. O que eu descarto é o volume do dinheiro e a história fantasiosa de transferência de um cofre. Dez mil cédulas de cem reais ( e duvido que alguém junte um mulhão só em nota de cem) não cabem em um cofrezinho que possa ser levado de um lado para outro com tanta facilidade. Tenta fazer os cálculos do volume e você vai ver que tenho razão. Daí a minha convicção de que tudo tem muito mais fantasia que realidade.
Campeão, convém lembrar que essa boilada, em época de campanha eleitoral, num escritório político é muita "bandeira". O local atacado pelos ladrões pertence, na surdina, debaixo de sete capas, ao "deputado". É a Nacional Refrigeração, lá na Dom Severino. Posso te contar umas histórias mais picantes do "deputado", para que vc sinta melhor quem é a figura. A polícia tem que investigar (polícia instituição, certo?). Vão achar muito mais histórias do que essa, que parece aventura holywoodiana. Sobre essa coisa do cofre, e do seu tamanho, parece desimportante. É igual examinar o calibre da arma que os bandidos utilizaras no assalto, vc não acha? De toda forma, nos depoimentos disseram (os bandidos), que o dinheiro estava em pacotes de cinquenta e de cem reais, acondicionados em sacos de cachorro-quente. Ou seja, 200 pacotinhos de cinco mil reais fecham a conta. E se forem metade de 100, metade de 50 reais, então são 150 pacotes, certo? Cabem num cofre de tamanho médio? Acho que perfeitamente. Agora, não queira saber onde está o maldito cofre, o que fizeram com ele depois do assalto... Senão vai ficar difícil.
Outra coisa: vc não é puta velha coisa nenhuma. Ainda tem muito o que oferecer.
A verdade sobre a nacional refrigeração, é que a mesma fazia parte de uma Empresa de factoring em brasilia, junto com os filhos do deputado e sua esposa Maria Lilian no mesmo edificio ( Brasilia Shopping ) do Banco Rural onde o Dep.João Paulo Cunha e outros fizeram saque.Atualmente a Factoring pertence aos dois filhos do Deputado- Sergio e Claudio.
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