Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

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Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

01 fevereiro 2007

Ora, onde estamos?!

Uma campanha eleitoral, e a contingência do voto.
Ano passado deixei a quietude da minha casa e fui - confesso que obrigado pelas penas da lei que não mudará, enquanto a classe política seguir mandando em tudo -, digitar meu intento, mais que cívico, racional (?), de optar pelo melhor para meu estado e país, se é que existe isso, de melhor.
Nessas alturas da vida, se já não confiava mais em ninguém, nem à moda do Padre Antonio Vieira, agora é que não confio mesmo. Principalmente em político.

Olha só. Ano passado vivi a experiência de um assalto. Creio que dois bandidos, entraram na casa onde morava, circulando pela sala, escritório, cozinha e até no quarto onde dormia, e levaram umas besteirinhas, daquelas que o dinheiro compra, embora com algum sacrifício, e outras que nada pode pagar, como a tranqüilidade e o sentimento de cidadania, respeitado nos seus limites de pagador de imposto e cumpridor da lei e da ordem. Depois daquele dia nunca mais fui o mesmo.
O rescaldo dessa história deixou em mim a impressão do imbecil. Do cara que sem querer monta uma puta festa e não tem direito a meio copo de cerveja, ou a um indigesto “rabo-de-tatu”. Explico aqui a situação de iniqüidade dos contribuintes, dos cidadãos, dos homens de bem – e não só os “de bens” – que não podem contar com a eficiência do aparelho repressor, despreparado para tratar o cidadão, despreparado para caçar malandro, despreparada para funcionar como salvaguarda e garantia de qualquer forma de vida pacífica, ordeira. Até porque toda polícia do mundo ainda será pouca ou nada para resolver o problema, que é social, cultural, educacional, econômico, enfim... Menos de repressão pela força bruta.
O Estado está uma merda, convenhamos.
Não desejo a ninguém, nem mesmo ao mais escroque desses políticos recém eleitos, aquele passamento, aquela sensação de coisa nenhuma, de “desimportância”, de desvalor que vivi.

Se a realidade dos dias impõe a você esse descrédito, o exemplo dos caras públicos complementa a dose da falta de fé em alentos para o futuro. “Melhores dias” só se for pra eles, que vivem fora da realidade, entrincheirados na sobrevivência político-eleitoral. Durmo e acordo com a pergunta na cabeça: será que esses caras têm a menor noção do para que são eleitos, de por que estão ocupando os postos públicos dos poderes constituídos?
Tenho a plena certeza de que não, eles não sabem a razão de suas eleições e posses.

Quer saber por que tenho essa certeza? Porque vereador, deputado e senador, até onde sei, e até onde a legislação instrui, vai eleito para fazer lei. E por que cargas dágua eles têm de se juntar aos que estão no poder, os que são governos? Que diabos de leis são essas que eles, para fazer, precisam estar agarrados nos peitos fartos dos governos? Que papo é esse?

E por que é mesmo que o governo quer unanimidade nas casas legislativas, onde inclusive tem, já, a maioria absoluta dos votos, que permite a aprovação de qualquer projeto ou mensagem que para ali for enviada? Para que é mesmo que estão querendo essa unanimidade? Antes eu pensava que era para desmoralizar o oposicionista, mas conclui que quem sairia desmoralizado, nesse caso, era o governista que “coopta”, pois foi se juntar “com quem não presta”, tal a caracterização despachada no passado recente. No final das contas, depreende-se, nenhum vale merda nenhuma!

Enfim, chegamos ao tempo imperioso e descarado do dinheiro poderoso. Caíram as máscaras. Assumiram afinal que só o dinheiro importa. O maldito, que a tudo compra, desnuda as mais suntuosas das consciências, mostrando a quem quiser ver a qualidade dos caras que nos fazem sair da casa acolhedora nos domingos outubrinos, enfrentar a fila torta dos tristes e descontentes, e votar ou não nos seus nomes inqualificáveis.

Como é mesmo aquela frase do Barão de Itararé? O homem que se vende vale muito menos do que aquilo que recebe.

E se segura, porque tem eleição de novo no ano que vem. E o balcão de negócios está preparado, desde logo. É negócio no retalho, a grosso, em bloco, de todo jeito.

Mas eu queria mesmo era que a polícia prendesse aqueles infelizes que desmancharam minhas expectativas cidadãs. Não para que piorassem suas já péssimas qualidades humanas, ou que desmoralizassem juizes vagabundos, delegados e policiais venais, com solturas relâmpagos, recondicionando-os à pratica torpe da malandragem, do crime abjeto e da intranqüilidade dos cidadãos que, de qualquer maneira, ainda somos.

Só queria mesmo é perguntar a eles o seguinte: cara, por que é que vocês não vão assaltar a casa dos políticos, dos homens dos tribunais, dos policiais e dos homens ricos que dão manutenção a esse estado de coisas?

Deixem a gente trabalhar, rapaz.