PRÁ FRENTEX
Foste vencida.
Perdeste pro tempo a capacidade de acariciar a brisa com a leveza plácida dos teus cabelos longos. Longos e negros. Perdeste a vocação imperiosa das tuas vontades mais sem sentido, e o encanto doce do teu olhar mais frágil estendido para além do nada.
Perdeste a elegância dos teus passos tácitos, fagueiros, a agilidade facial do teu sorriso aberto, ou da tua lágrima copiosa, e o poder subversivo de parar as horas.
Perdeste alguma glória ao recolher em silêncio as gargalhadas fortuitas d’outro instante. Perdeste o sol da mocidade para a neblina infame de uma infância nova, desesperada, improvável.
Perdeste a sedosidade da face adolescente para as palavras ásperas de um desencontro, um abandono das conquistas fáceis. Perdeste a noção da luz ao fechar os olhos rasos de tristeza e tédio, ou d’a expressão real de toda saudade.
Perdeste a voz suave das frases quentes de amor, no acontecer crescente das tensões lascivas, e mais ainda o fado certo do desejo. Sim, perdeste.
Perdeste a conta das tuas perdas, inebriada pela derrota da solidão que nunca te quis de verdade. Perdeste os dias de sol, as tardes de chuva, as noites de frio e as madrugadas de vida – perdeste o tempo de viver.
Perdeste os filhos que não quiseste, e as impulsos que te animaram a tudo querer. Perdeste a imagem do teu olhar no espelho e a altivez da tua mocidade iludida pelos reflexos da imprevidência. Perdeste o bom e o mau em ti, o juízo e a emoção da maturidade, o sentido das coisas mais simples e presentes em todas as vidas. Passaste sem vida pela vida.
Perdeste as lições do mar, resignado e inapagavelmente belo. Perdeste a companhia da lua, das noites estreladas e talvez azuis do tempo escuro questionável. Perdeste o sabor dos lábios que te negaram beijos, e que se perderam dos teus olhos no desfolhar dos dias incontáveis pelos quais passaste indiferente, sem lamentos.
Perdeste por mais grave a capacidade absoluta de renascer, de transformar as perdas em conquistas, o amargor em doçura, a tristeza em alegria, a solidão em companhia, o medo em coragem, o ontem no amanhã, a tragédia em esperança, e o sonho inapelavelmente em vida.
Perdeste pro tempo a capacidade de acariciar a brisa com a leveza plácida dos teus cabelos longos. Longos e negros. Perdeste a vocação imperiosa das tuas vontades mais sem sentido, e o encanto doce do teu olhar mais frágil estendido para além do nada.
Perdeste a elegância dos teus passos tácitos, fagueiros, a agilidade facial do teu sorriso aberto, ou da tua lágrima copiosa, e o poder subversivo de parar as horas.
Perdeste alguma glória ao recolher em silêncio as gargalhadas fortuitas d’outro instante. Perdeste o sol da mocidade para a neblina infame de uma infância nova, desesperada, improvável.
Perdeste a sedosidade da face adolescente para as palavras ásperas de um desencontro, um abandono das conquistas fáceis. Perdeste a noção da luz ao fechar os olhos rasos de tristeza e tédio, ou d’a expressão real de toda saudade.
Perdeste a voz suave das frases quentes de amor, no acontecer crescente das tensões lascivas, e mais ainda o fado certo do desejo. Sim, perdeste.
Perdeste a conta das tuas perdas, inebriada pela derrota da solidão que nunca te quis de verdade. Perdeste os dias de sol, as tardes de chuva, as noites de frio e as madrugadas de vida – perdeste o tempo de viver.
Perdeste os filhos que não quiseste, e as impulsos que te animaram a tudo querer. Perdeste a imagem do teu olhar no espelho e a altivez da tua mocidade iludida pelos reflexos da imprevidência. Perdeste o bom e o mau em ti, o juízo e a emoção da maturidade, o sentido das coisas mais simples e presentes em todas as vidas. Passaste sem vida pela vida.
Perdeste as lições do mar, resignado e inapagavelmente belo. Perdeste a companhia da lua, das noites estreladas e talvez azuis do tempo escuro questionável. Perdeste o sabor dos lábios que te negaram beijos, e que se perderam dos teus olhos no desfolhar dos dias incontáveis pelos quais passaste indiferente, sem lamentos.
Perdeste por mais grave a capacidade absoluta de renascer, de transformar as perdas em conquistas, o amargor em doçura, a tristeza em alegria, a solidão em companhia, o medo em coragem, o ontem no amanhã, a tragédia em esperança, e o sonho inapelavelmente em vida.
