Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

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Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

09 fevereiro 2007

VAI SER O FIM DO MUNDO


Se há uma coisa que unanimemente se considera nojenta no Brasil esta coisa é a política. Pior do que ela, acredito, só a Justiça, ou melhor, o Poder Judiciário, aquele que solta bandido e não condena ricos.

Quando as duas se unem para praticar o, digamos, imponderável, sai de baixo.

Depois do malfadado acesso ao poder dos petistas, no Brasil tudo ganhou a salvo-conduto da possibilidade. Precisamos questionar os valores, que mudaram muito de uns tempos para cá. Num país sem vergonha, onde o descaramento dobra nas esquinas da ética, da moral, da dignidade e do bom senso, a tendência de piorar o que já é péssimo não se esgota.

Lembro muitíssimo bem do Roberto Jefferson na CPI – puta que pariu, que recorrência, hein?. Pois o ex-deputado, ou melhor, o deputado cassado, respondendo a um petista desses que pensam que todo mundo é imbecil, então na defesa de seus correligionários, ouviu de Jefferson a afirmação: deputado, não há um filete de água pura nesse esgoto!!!

A molequeira está se movimentando para promover judicialmente, como disse, uma ação imponderável: vão devolver ao Zé Dirceu, aquele rapazinho que comandou o esquemão mensaleiro, seu mandato de deputado.

Não sei. Penso as pessoas como emblemas: você é o que você parece ser. Não o que você pensa que é. Zé Dirceu pode ser tudo, menos a imagem, hoje, da dignidade, do brio ferido. Se for “absolvido”, quer dizer, inocentado das culpas que lhe cassaram o mandato, o PT terá conseguido o intento maior de todos, até aqui todos sinceramente assustadores: terá conseguido acabar de vez com a idéia de respeitar o povo brasileiro, certo que está de que o povo não ta nem aí mais para nada. Parece mesmo, depois do sucesso eleitoral de outubro último!?

É onde entra a história do valor, que mudou. E o descrédito do político e do magistrado.

Como justificar isso?

Lembro doutra personagem e sua expressão que ninguém que reviver – pelo menos os petistas: Regina Duarte. Lembra quando ela disse que estava “com medo” do PT chegar ao governo? Olha, medo mesmo sinto agora. Melhor dizendo – PAVOR. Rapaz, os caras não se adonaram apenas do poder governamental, da caneta que assina os cheques, as ordens de serviço, as nomeações, não. Estão prostituindo as pessoas que um dia julgamos até honestas. Estão transformando o poder público, a representatividade, a coisa pública, integralmente, num bordel de quinta categoria. Um puteiro – para usar a expressão mais condizente.

Não há limites para isso.

Aproveito daqui para mandar um conselho aos que querem fazer oposição a essa situação brasileira de hoje: mudem os métodos. Não que façam política metendo necessariamente a mão na merda, como disse aquele bosta do meio artístico, mas que procurem visualizar no povo os defeitos que o faz engolir essa situação com tanta naturalidade e passividade.

Vejam o que disse: as pessoas no Brasil estão sendo prostituídas. Ou seja, estão consentindo. Se estivessem reagindo, diria eu que estariam sendo estupradas.

Um dia ainda verei isso tudo se acabar! Não sei pelas mãos de quem, nem quando, porque não há mal que pra sempre dure, nem bem que nunca se acabe.

05 fevereiro 2007

O PREÇO DA DEMOCRACIA


Quanto vale o civismo da representatividade? Quanto se deve pagar a alguém para que, num somatório nacional, nos represente? Que remuneração se pode estipular a alguém para que opine, decida, apóie, expresse, entenda, repare, vote em nosso nome leis e regulamentos que afetam diretamente a vida de todos?

Há duas versões: uma, nua de considerações factuais, essencialmente purista, roga pela importância e relevância de um posto público de participação popular no âmbito das decisões civis do país. É o exercício representacional da democracia – a participação indireta do povo no processo de decisão daquilo que lhe diz respeito, no sentido da digestão melhor possível das conseqüências dessas decisões.

Mas no Brasil as coisas nunca são exatamente como parecem, como devem ser. Resulta daí a outra versão. Há quem creia que democracia é o nome do engodo que ludibria o brasileiro, em cujo nome e sob a sua utilização como pano de fundo se tem desvirtuado tudo enquanto, ou todo movimento público – sejam políticos, administrativos ou de legalidade.

Entendo democracia como participação. Do povo, pelo povo e para o povo. O povo vota e escolhe representantes – portanto o governo é seu, o representante é seu. O representante governa, legisla, julga, decide – faz tudo isso porque representa o povo, faz por ele, conforme seu (do povo) querer. E essas decisões, enfim, são tomadas para ele (povo), sempre adotando como referência, destinatário, beneficiário e tudo o mais, o povo. É assim que entendo.

A realidade publica outra história. Nela a classe política, que por anos sem conta vem dominando o cenário governamental brasileiro, se reveza nos cargos e instâncias do poder. Ditaduras, oligarquias, grupos, nomes e famílias – no sentido da indicação de um de seus membros, sempre, a cargos determinados, garantindo ali seu quinhão de poder. A base financeira e a utilização descarada e desabrida da máquina pública, dos favores públicos, têm prorrogado mandatos infinitamente. Desde que o Brasil é Brasil. A culpa, penso mesmo, é do povo, que não se respeita. E do político, também, que aprisiona o povo nessa condição estúpida de pedinte.

Uma coisinha aqui e outra ali se fazem para aplainar os ânimos. É uma satisfação, em todo caso. É certo que vivemos no estado falido, que não vale nada diante das suas obrigações. É falso, é cínico, é irresponsável. Finge que governa e a gente, todos nós, acreditamos. Isso é assim porque nossa gente nunca teve coragem de indignar-se, e promover com firmeza as correções reclamadas. É uma passividade arretada! O nome das coisas no Brasil é só para enumerá-las – não significa coisa nenhuma.

Político, por uma praxe torta, naquela linha do poder desvirtuado, vive de tirar vantagem. Aquela representatividade ao pé da letra muda de sinônimo, passando a ser uma pescaria de instrumentos pontuais de corrupção. Comissão pelos recursos que consegue liberar. Comissão pelo benefício que estende à população pobre. Pagamento pelo apoio a projetos que tramitam nos corredores da burocracia. Pagamento pelo voto e favorabilidade a esse ou aquele assunto. É uma bandidagem viciosa e contagiante. Agora, diante de um país zonzo de tanta falta de vergonha dos seus gestores, em todos os postos a partir do maior, estão querendo legalizar o saque fedorento do cofre, sob a forma de salário. Astronômico, por sinal.

Não se deve nem citar as mordomias. Ou as intimidades que os gabinetes escondem, entocam. Os financiamentos da indignidade que se tramam nas surdinas do poder. Coisas nojentas, mesmo. Mais isso, de salário alto pra caramba?

Recorro ao purismo da democracia: quanto vale de fato a nossa representatividade? E será que ela está se dando sob formas tão eficientes, assim, para merecer tamanha remuneração?

Sem esse purismo, e com os pés no chão, sentencio: isso é imoral!