VAI SER O FIM DO MUNDO
Se há uma coisa que unanimemente se considera nojenta no Brasil esta coisa é a política. Pior do que ela, acredito, só a Justiça, ou melhor, o Poder Judiciário, aquele que solta bandido e não condena ricos.
Quando as duas se unem para praticar o, digamos, imponderável, sai de baixo.
Depois do malfadado acesso ao poder dos petistas, no Brasil tudo ganhou a salvo-conduto da possibilidade. Precisamos questionar os valores, que mudaram muito de uns tempos para cá. Num país sem vergonha, onde o descaramento dobra nas esquinas da ética, da moral, da dignidade e do bom senso, a tendência de piorar o que já é péssimo não se esgota.
Lembro muitíssimo bem do Roberto Jefferson na CPI – puta que pariu, que recorrência, hein?. Pois o ex-deputado, ou melhor, o deputado cassado, respondendo a um petista desses que pensam que todo mundo é imbecil, então na defesa de seus correligionários, ouviu de Jefferson a afirmação: deputado, não há um filete de água pura nesse esgoto!!!
A molequeira está se movimentando para promover judicialmente, como disse, uma ação imponderável: vão devolver ao Zé Dirceu, aquele rapazinho que comandou o esquemão mensaleiro, seu mandato de deputado.
Não sei. Penso as pessoas como emblemas: você é o que você parece ser. Não o que você pensa que é. Zé Dirceu pode ser tudo, menos a imagem, hoje, da dignidade, do brio ferido. Se for “absolvido”, quer dizer, inocentado das culpas que lhe cassaram o mandato, o PT terá conseguido o intento maior de todos, até aqui todos sinceramente assustadores: terá conseguido acabar de vez com a idéia de respeitar o povo brasileiro, certo que está de que o povo não ta nem aí mais para nada. Parece mesmo, depois do sucesso eleitoral de outubro último!?
É onde entra a história do valor, que mudou. E o descrédito do político e do magistrado.
Como justificar isso?
Lembro doutra personagem e sua expressão que ninguém que reviver – pelo menos os petistas: Regina Duarte. Lembra quando ela disse que estava “com medo” do PT chegar ao governo? Olha, medo mesmo sinto agora. Melhor dizendo – PAVOR. Rapaz, os caras não se adonaram apenas do poder governamental, da caneta que assina os cheques, as ordens de serviço, as nomeações, não. Estão prostituindo as pessoas que um dia julgamos até honestas. Estão transformando o poder público, a representatividade, a coisa pública, integralmente, num bordel de quinta categoria. Um puteiro – para usar a expressão mais condizente.
Não há limites para isso.
Aproveito daqui para mandar um conselho aos que querem fazer oposição a essa situação brasileira de hoje: mudem os métodos. Não que façam política metendo necessariamente a mão na merda, como disse aquele bosta do meio artístico, mas que procurem visualizar no povo os defeitos que o faz engolir essa situação com tanta naturalidade e passividade.
Vejam o que disse: as pessoas no Brasil estão sendo prostituídas. Ou seja, estão consentindo. Se estivessem reagindo, diria eu que estariam sendo estupradas.
Um dia ainda verei isso tudo se acabar! Não sei pelas mãos de quem, nem quando, porque não há mal que pra sempre dure, nem bem que nunca se acabe.
