A DITADURA DO CINISMO E DA BANDIDAGEM
Ontem passei umas boas horas em silêncio, observando as coisas, e cheguei à conclusão de que o mundo está piorando. Aliás, rendi-me à conclusão, pois a ela cheguei faz tempos.
O valor da vida humana anda tão ínfimo que chega quase a zero. Os bandidos que matam triunfam numa desfaçatez tão imensa que me assusta. Justiça não temos. Governo não temos. Autoridade não temos. Poder, se temos, ainda não aprendemos a usá-lo. Nós não temos nenhuma garantia de que as coisas podem mudar. Estamos vivendo a fase do “cada um por si”. E Deus... Bem, Deus tá vendo.
Falta vergonha ao mundo. Banalizaram a criminalidade. Diminuíram a distância entre a cidadania e a malandragem. Chegamos às portas do apocalipse. A canalha política a todo instante mostra seus objetivos – sempre mesquinhos. Agora ela age às escâncaras. Agora não se envergonha mais de ser, pensar, agir e se mostrar como uma laia safada. É tudo abertamente.
Desde antes da campanha política leio e escrevo sobre isso. Tentava mostrar como esse nivelamento rasteiro estava nos levando para o fosso fétido da indignidade. As pessoas ali, idolatrando aqueles caras mais imundos, do ponto de vista da marginalidade, e os malandros rindo deles, na surdina das suas intimidades. Aí estão, inoperantes, cheios de si, de posse da absolvição que lhes conferiram nas urnas, da carta branca que penduraram no varal da vida pública, a lhes credenciar na persistência do ridículo espetáculo da ineficiência, perpetrando todos os crimes abjetos, que o bom senso condena. Mas agora é tarde. Tarde por demais.
Os dinheiros do povo estão servindo para encher a burra dessa negrada da política. Mais que isto, estão sendo usados contra o próprio povo, quando permite que se reparta os órgãos públicos como num cartel marginal, como o fazem os bandidos após os furtos, na divisão da féria. Órgãos públicos que servem para dar visibilidade a uns, e recursos sem limite a todos, parte destes para ser torrado na próxima peleja pelo voto dos que se deixam levar por promessas, afagos ou ilusões impossíveis.
Ficou fácil demais. Concluo que nosso povo vive adormecido, entorpecido. Se deixa enganar. Isso é grave. Quem perde a capacidade de indignar-se perde o elo com a realidade, afasta-se do seu caminho e passa a trilhar os caminhos alheios. Perde, assim, sua personalidade e seu ânimo de cidadão; seus interesses e suas pretensões mais altas. Perde sua qualidade de gente, de indivíduo, de humanidade. Perde o respeito e o amor próprio. É um candidato iminente à frustração, ao desprazer de viver.
Políticos, antigamente, eram cínicos disfarçados de políticos. Hoje os políticos são bandidos da mais alta periculosidade disfarçados de cínicos. Não se salva mais de meia dúzia. Porque se não restasse um único razoável, seria melhor... É melhor nem pensar!
O Brasil precisa de uma revolução. O que a gente assiste no palco enorme da vida pública nacional, é o espetáculo ridículo da improbidade. Deus do Céu, como é que isso se sustenta? Quem poderia conduzir um processo desses, de mudança estrutural profunda na vida pública brasileira, se os adversários de ontem, que se xingavam e se denunciavam nos palanques e burburinhos, no dia seguinte ao do resultado eleitoral andam de braços dados, rateando os cargos públicos, o acesso aos bens públicos, aos dinheiros públicos, numa desfaçatez superior, dando de ombros a qualquer comentário, a qualquer condenação localizada, seja popular, seja de outros adversários, ainda não cooptados?
Penso nos meus filhos, que serão pais se ainda houver amanhã. Penso no tipo de vida que teremos no Brasil diante do império escandaloso da falta de moral, da falta de ética, da falta de vergonha, da falta de dignidade, da falta de compromissos com a civilidade, a coletividade e a nação.
Vejo essa violência amaciando hoje a barbaridade de amanhã. Anestesiando nossa indignação, nossa surpresa, nosso medo, acostumando-nos ao impositivo do seu predomínio incólume, sem jeito, sem barreiras, sem repressão, sem leis que lhe dê cabo, sem ação que lhe destrone.
Penso no meu menino caçula, que este ano começou freqüentar a escola. Temo pelos seus dias, pela droga que daqui uns dias fará parte do currículo colegial, e de como ele há de se conduzir, para não ser atingido por ela. E no acesso aos empregos, à subsistência, se não sou político, se não pretendo misturar-me à escória, se não vou me candidatar ao silêncio da conformação. Penso em como essa criança será diferente de tantas outras, pela educação e formação que a ele devo dedicar. E se será certa essa direção que já lhe aponto, de ser, crescer e viver na dignidade da família, da sociedade, das suas crenças e das concepções de correção, nos preceitos da cidadania, do respeito aos outros, às leis, à decência. Temo estar preparando um bocó para o mundo. Afinal, já estamos sendo verdadeiros palhaços no infeliz espetáculo que o momento disponibiliza!!!
Penso no meu rapaz mais velho, sedento por uma justiça que somente sua idade pode estimular a perseguição. Faz certo seu encaminhamento acadêmico, cursando Direito. Tem seus objetivos e a eles se dedica, consciente. Sabe das dificuldades e luta para superá-las. Mas não sei se está preparado para competir com a nojeira. Queira Deus esteja. E se vencer, espero sinceramente que nunca permita, o que quer que ele venha a fazer nessa vida, que a podridão triunfe ao seu redor.
Penso na minha mocinha, que logo, logo estará debutando, alcançando a mediana mocidade que nos afasta dos sonhos infantis, e nos claudica por igual na perseguição dos objetivos. Fragilidade gostosa da adolescência... Por esta minha insônia ilumina a índole dos seus pretendentes, a concorrência dos mercados de labuta, os meios que as outras hão de utilizar para galgar seus espaços, os desejos que alimentarão os atos de uma e outras, o processamento da sua maturidade, a preservação da sua adorável doçura.
Deus me ajude...
O valor da vida humana anda tão ínfimo que chega quase a zero. Os bandidos que matam triunfam numa desfaçatez tão imensa que me assusta. Justiça não temos. Governo não temos. Autoridade não temos. Poder, se temos, ainda não aprendemos a usá-lo. Nós não temos nenhuma garantia de que as coisas podem mudar. Estamos vivendo a fase do “cada um por si”. E Deus... Bem, Deus tá vendo.
Falta vergonha ao mundo. Banalizaram a criminalidade. Diminuíram a distância entre a cidadania e a malandragem. Chegamos às portas do apocalipse. A canalha política a todo instante mostra seus objetivos – sempre mesquinhos. Agora ela age às escâncaras. Agora não se envergonha mais de ser, pensar, agir e se mostrar como uma laia safada. É tudo abertamente.
Desde antes da campanha política leio e escrevo sobre isso. Tentava mostrar como esse nivelamento rasteiro estava nos levando para o fosso fétido da indignidade. As pessoas ali, idolatrando aqueles caras mais imundos, do ponto de vista da marginalidade, e os malandros rindo deles, na surdina das suas intimidades. Aí estão, inoperantes, cheios de si, de posse da absolvição que lhes conferiram nas urnas, da carta branca que penduraram no varal da vida pública, a lhes credenciar na persistência do ridículo espetáculo da ineficiência, perpetrando todos os crimes abjetos, que o bom senso condena. Mas agora é tarde. Tarde por demais.
Os dinheiros do povo estão servindo para encher a burra dessa negrada da política. Mais que isto, estão sendo usados contra o próprio povo, quando permite que se reparta os órgãos públicos como num cartel marginal, como o fazem os bandidos após os furtos, na divisão da féria. Órgãos públicos que servem para dar visibilidade a uns, e recursos sem limite a todos, parte destes para ser torrado na próxima peleja pelo voto dos que se deixam levar por promessas, afagos ou ilusões impossíveis.
Ficou fácil demais. Concluo que nosso povo vive adormecido, entorpecido. Se deixa enganar. Isso é grave. Quem perde a capacidade de indignar-se perde o elo com a realidade, afasta-se do seu caminho e passa a trilhar os caminhos alheios. Perde, assim, sua personalidade e seu ânimo de cidadão; seus interesses e suas pretensões mais altas. Perde sua qualidade de gente, de indivíduo, de humanidade. Perde o respeito e o amor próprio. É um candidato iminente à frustração, ao desprazer de viver.
Políticos, antigamente, eram cínicos disfarçados de políticos. Hoje os políticos são bandidos da mais alta periculosidade disfarçados de cínicos. Não se salva mais de meia dúzia. Porque se não restasse um único razoável, seria melhor... É melhor nem pensar!
O Brasil precisa de uma revolução. O que a gente assiste no palco enorme da vida pública nacional, é o espetáculo ridículo da improbidade. Deus do Céu, como é que isso se sustenta? Quem poderia conduzir um processo desses, de mudança estrutural profunda na vida pública brasileira, se os adversários de ontem, que se xingavam e se denunciavam nos palanques e burburinhos, no dia seguinte ao do resultado eleitoral andam de braços dados, rateando os cargos públicos, o acesso aos bens públicos, aos dinheiros públicos, numa desfaçatez superior, dando de ombros a qualquer comentário, a qualquer condenação localizada, seja popular, seja de outros adversários, ainda não cooptados?
Penso nos meus filhos, que serão pais se ainda houver amanhã. Penso no tipo de vida que teremos no Brasil diante do império escandaloso da falta de moral, da falta de ética, da falta de vergonha, da falta de dignidade, da falta de compromissos com a civilidade, a coletividade e a nação.
Vejo essa violência amaciando hoje a barbaridade de amanhã. Anestesiando nossa indignação, nossa surpresa, nosso medo, acostumando-nos ao impositivo do seu predomínio incólume, sem jeito, sem barreiras, sem repressão, sem leis que lhe dê cabo, sem ação que lhe destrone.
Penso no meu menino caçula, que este ano começou freqüentar a escola. Temo pelos seus dias, pela droga que daqui uns dias fará parte do currículo colegial, e de como ele há de se conduzir, para não ser atingido por ela. E no acesso aos empregos, à subsistência, se não sou político, se não pretendo misturar-me à escória, se não vou me candidatar ao silêncio da conformação. Penso em como essa criança será diferente de tantas outras, pela educação e formação que a ele devo dedicar. E se será certa essa direção que já lhe aponto, de ser, crescer e viver na dignidade da família, da sociedade, das suas crenças e das concepções de correção, nos preceitos da cidadania, do respeito aos outros, às leis, à decência. Temo estar preparando um bocó para o mundo. Afinal, já estamos sendo verdadeiros palhaços no infeliz espetáculo que o momento disponibiliza!!!
Penso no meu rapaz mais velho, sedento por uma justiça que somente sua idade pode estimular a perseguição. Faz certo seu encaminhamento acadêmico, cursando Direito. Tem seus objetivos e a eles se dedica, consciente. Sabe das dificuldades e luta para superá-las. Mas não sei se está preparado para competir com a nojeira. Queira Deus esteja. E se vencer, espero sinceramente que nunca permita, o que quer que ele venha a fazer nessa vida, que a podridão triunfe ao seu redor.
Penso na minha mocinha, que logo, logo estará debutando, alcançando a mediana mocidade que nos afasta dos sonhos infantis, e nos claudica por igual na perseguição dos objetivos. Fragilidade gostosa da adolescência... Por esta minha insônia ilumina a índole dos seus pretendentes, a concorrência dos mercados de labuta, os meios que as outras hão de utilizar para galgar seus espaços, os desejos que alimentarão os atos de uma e outras, o processamento da sua maturidade, a preservação da sua adorável doçura.
Deus me ajude...
