Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

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Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

01 janeiro 2008

AS HORAS

Ah... aquela lágrima presa a maldizer uma saudade. Aquele suspiro escandaloso, e aquele olhar perdido, mirando paisagens vãs, cheias de nada, tendo ao fundo um céu azul sem nuvens, um sol poente, cansado do seu ciclo, da sua jornada.

Ah... aquela palavra presa, ancorada nas ilusões pranteadas de um tempo morto, e inesquecível. E o pensamento exausto de tanto andar, sem rumo, inconcluso. A respiração serena, aspirando as imagens lamentáveis que os olhos fechados permitem revelar.

Ah... saudade.



Os nomes das pessoas, as horas, os lugares, as impressões temporais, os percursos. E se mudam para o ostracismo também os textos, as imaginações, as cores, sabores, odores, valores. Os pensamentos debocham o tempo todo da realidade. E os tempos, também, se configuram na compreensão dos eventos. Passado, presente, futuro...

Cada dia é como um medo – passa.

Apelido de saudade tudo o que gostaria de viver outra vez. Tenho muitas saudades. E um futuro longo a degustar, inédito nas cores, sabores, odores, valores, calores... Espero.

Espero das horas a honestidade suprema. E, de fato, as horas são honestas.

Espero do acaso o inesperado, com suas surpresas natas, suas descobertas espantosas, sua irreversibilidade. Como sempre.

Aprendi na vida muitas palavras. Às vezes, elas fogem de mim. E de tudo o que digo, e queria dizer pelas letras dessas palavras esquecidas, parece perder o sentido, embora expresse a intenção desejada. Sou muito exato no que digo.

E no que sinto fraquejo. Por vezes escondo sentimentos em palavras difíceis. Delas desconhecidas, ou inventadas, quando me faço incompreendido. Sou esquisito.




A lágrima reclusa, que repele a tentação da saudade, reflete uma resistência obediente. Obediente ao presente, ao momento. Obediente à conveniência alheia. Obediência ao tempo das coisas. Obediente à ordem natural de tudo. E por ser saudade, significa a recordação do agradável.

O horizonte oculto que a saudade oferta aos saudosos, que nele vêem somente o que querem ver, não tem ciclo. Na escuridão da noite reluz um sol estressante, cruel, malvado. Nas manhãs alegres de sol a pino, nuvens festivas e céus azuis, enegrece as coisas como uma madrugada infeliz de chuva torrente.




Ah, saudade... me deixe viver.