Paulo Chaves / BLOG

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Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

01 outubro 2006

Juízo e Inteligência



Esse menino por quem tenho grande admiração e especial amizade, é um fenômeno. Sinto-me tão “miudim réi” quando o leio, ou escuto sua graça rotineira – se admiro quem sabe rir (oí Ferrezim), imagine quem sabe fazer rir – que lamento sempre a brevidade do tempo quando nos encontramos.
Poncion tem muito juízo. E para acabar de lascar, tem muita inteligência. Vou insistir mais com ele para fazer-se literato, publicando livros com suas estórias.
Vide exemplo (DIARIO DO POVO.01.10.2006)


Dos filhos deste solo és mãe gentil...
(*) Poncion Rodrigues

Em momento de grande risco para sua integridade restante, o Brasil vota hoje em eleições com improvável vocação para as mudanças estruturais e morais de que tanto a nação necessita.
Tudo indica que, indiferente à encenação que acontece em seu redor, o eleitorado, na sua maioria, marchará contente e festivo rumo ao alçapão armado com requintado planejamento. As pessoas votarão nos piores, como tradicionalmente o fazem. O lado bom é que a coisa está tão preta que vai valer a pena assistir a angústia dos eleitos, na tentativa vã de tornar pior o “impiorável”.
Doeu-me a alma quando, no início da semana, assisti em bem produzido documentário de rede nacional de televisão, um painel cruento da sociedade brasileira, englobando desde as tragédias dos infelizes nas grandes cidades, até o flagelo dantesco da fome, ignorância e carência de tudo, nos “Sertões e Veredas”.
Esfacelando todos os parâmetros do que possa ser chamada dignidade humana, os governos (todos) vêm mostrando com sádica crueldade sua histórica vocação de predadores do próprio povo. Este povo, que diferentemente do que trombeteiam as charmosas e ufanistas propagandas de suposta evolução social e crescimento econômico, rasteja atarantado, prisioneiro dos seus múltiplos e aparentemente insolúveis problemas.
Com especial zelo construiu-se e se fez consolidar uma estrutura de educação, extemporânea em relação à modernidade; criminosa em relação às metas de limitar o conhecimento e bloquear consciências; macabra nos subterrâneos de suas verdadeiras intenções. O resultado aí está: em sua maioria, um povo alienado e esperançoso no cumprimento de primárias necessidades, como o direito de não morrer de fome para os sertanejos e de acesso a emprego e renda, segurança pública e saúde dignas, eternamente prometido pelos mesmos atores de sempre (ou seus herdeirinhos), aos desvalidos zumbis deste país de Macunaíma.
...OH, PÁTRIA AMADA BRASIL!

(*) Poncion Rodrigues é Médico