LUXO E MORDOMIA
Prefiro o entendimento simplista das coisas. Detesto a complicação de compreender o esquisito, o absurdo, o imponderável. Perder meu tempo precioso analisando razões que no mais das vezes nem existem.
Mas, sinceramente, não consigo compreender porque pessoas que se supõe inteligentes, como os magistrados de todas as esferas e instâncias jurídicas, têm essa desmedida atração pela suntuosidade, pela maravilha do excesso, essa paixão rasgada pela mordomia, pelo exagero do luxo.
Repare os prédios. Aquele novo dali próximo ao balão da Tabuleta, perto do Albertão, é uma fábula. E daí me veio a lembrança do juiz Lalau, que roubou descaradamente, junto com a construtora do Luis Estevão e outros mais, boa parte dos recursos para construir o prediozão do TRT lá de São Paulo. E dinheiro nunca faltou para a obra, ou faltaria, ainda que superfaturada, super-roubada.
A impressão que esse pessoal me passa é a de que vive noutro mundo. Ou finge. Quer se passar por algo muito especial, diferente, mas é o mesmo funcionário público que a gente vê conduzindo elevador nos prédios oficiais, atendendo telefone nas repartições, gerenciando a agenda dos chefes nas sinecuras infindáveis desse Brasil estiolado. Juizes, desembargadores, ministros, são todos servidores do povo, tal os promotores, os soldados de polícia, os governadores, os senadores, as merendeiras das escolas públicas. Todos, sem exceção, vivem dos extorsivos impostos que pagamos, irremediavelmente.
Suas coisinhas – o papel que utilizam nas sentenças, os carrões de luxo em que viajam, a gasolina que queimam, a internet que acessam, os chazinhos que degustam – são financiadas por brasileiros de todos os tipos: ricos, pobres, brancos, pretos, desempregados, empresários... O dinheiro que gastam é nosso, é do povo!
E, para contradizer sua presunção, uma vaidade sem vínculo com o mundo real da nossa gente humilde, e o diferencial em que se armazenam, não funcionam. Estão aí tribunais abarrotados de processos sem sentença. Bandidos livres pela força das suas canetas. A instituição à qual pertencem amargando um descrédito elastecido, crescente. Mas por lá vale a mansidão de um abismo com o qual sonham os políticos que se tornam “servidores públicos” pela vontade questionável do povo, nas urnas. A vontade de não dever satisfação a ninguém. Afinal, são concursados.
Este poder, que ultrapassa as raias do bom senso, me instiga a pensar se acaso eles não imaginam que o dinheirão que torram nesse festival de mordomias não estará faltando nalgum lugar. Como em mais escolas para educar nossa gente lesa. Em mais hospitais para prolongar a vida dos brasileiros desditosos. Para o ancião maltratado nos abrigos ordinários que se improvisam sob o manto da caridade. As creches sem estrutura. As bibliotecas sem cadeiras, sem livros, sem arejo. Melhores salários para os professores. Remédios para os enfermos pobres. E outras escaramuças desse país desigual.
Ficaria honestamente feliz se esse pessoal funcionasse. Fizessem com que os pilantras que ocupam cargos públicos no mínimo obedecessem às leis. Qual nada. É tolice, é perda de tempo esperar por isso.
Lembro do relato que ouvi outro dia do prefeito de uma cidadezinha bem miudinha, distante menos de uma hora daqui da capital. De que ocorriam eventos no município, e o governador deveria estar presente. Era um ano eleitoral, e como o governador de fato, seu vice-governador, e o presidente da Assembléia eram candidatos, portanto proibidos por lei de participarem de solenidades oficiais, eis que foi até a cidade o presidente do Tribunal de Justiça, como governador.
Natural, não tivesse o afortunado comparecido ao evento a bordo do helicóptero locado ao Estado para ações policiais. Com o desplante de dizer ao prefeito que gostava e utilizava, mesmo, de toda a mordomia disponível.
Isso, na verdade, é a distorção do entendimento daquilo que venha a ser Público. Ou distorção daquilo que venha a ser humanidade. Ou desconhecimento daquilo que venha a ser, de fato, bom senso.
É isso o que talvez mais me envergonhe no Brasil!!!
Mas, sinceramente, não consigo compreender porque pessoas que se supõe inteligentes, como os magistrados de todas as esferas e instâncias jurídicas, têm essa desmedida atração pela suntuosidade, pela maravilha do excesso, essa paixão rasgada pela mordomia, pelo exagero do luxo.
Repare os prédios. Aquele novo dali próximo ao balão da Tabuleta, perto do Albertão, é uma fábula. E daí me veio a lembrança do juiz Lalau, que roubou descaradamente, junto com a construtora do Luis Estevão e outros mais, boa parte dos recursos para construir o prediozão do TRT lá de São Paulo. E dinheiro nunca faltou para a obra, ou faltaria, ainda que superfaturada, super-roubada.
A impressão que esse pessoal me passa é a de que vive noutro mundo. Ou finge. Quer se passar por algo muito especial, diferente, mas é o mesmo funcionário público que a gente vê conduzindo elevador nos prédios oficiais, atendendo telefone nas repartições, gerenciando a agenda dos chefes nas sinecuras infindáveis desse Brasil estiolado. Juizes, desembargadores, ministros, são todos servidores do povo, tal os promotores, os soldados de polícia, os governadores, os senadores, as merendeiras das escolas públicas. Todos, sem exceção, vivem dos extorsivos impostos que pagamos, irremediavelmente.
Suas coisinhas – o papel que utilizam nas sentenças, os carrões de luxo em que viajam, a gasolina que queimam, a internet que acessam, os chazinhos que degustam – são financiadas por brasileiros de todos os tipos: ricos, pobres, brancos, pretos, desempregados, empresários... O dinheiro que gastam é nosso, é do povo!
E, para contradizer sua presunção, uma vaidade sem vínculo com o mundo real da nossa gente humilde, e o diferencial em que se armazenam, não funcionam. Estão aí tribunais abarrotados de processos sem sentença. Bandidos livres pela força das suas canetas. A instituição à qual pertencem amargando um descrédito elastecido, crescente. Mas por lá vale a mansidão de um abismo com o qual sonham os políticos que se tornam “servidores públicos” pela vontade questionável do povo, nas urnas. A vontade de não dever satisfação a ninguém. Afinal, são concursados.
Este poder, que ultrapassa as raias do bom senso, me instiga a pensar se acaso eles não imaginam que o dinheirão que torram nesse festival de mordomias não estará faltando nalgum lugar. Como em mais escolas para educar nossa gente lesa. Em mais hospitais para prolongar a vida dos brasileiros desditosos. Para o ancião maltratado nos abrigos ordinários que se improvisam sob o manto da caridade. As creches sem estrutura. As bibliotecas sem cadeiras, sem livros, sem arejo. Melhores salários para os professores. Remédios para os enfermos pobres. E outras escaramuças desse país desigual.
Ficaria honestamente feliz se esse pessoal funcionasse. Fizessem com que os pilantras que ocupam cargos públicos no mínimo obedecessem às leis. Qual nada. É tolice, é perda de tempo esperar por isso.
Lembro do relato que ouvi outro dia do prefeito de uma cidadezinha bem miudinha, distante menos de uma hora daqui da capital. De que ocorriam eventos no município, e o governador deveria estar presente. Era um ano eleitoral, e como o governador de fato, seu vice-governador, e o presidente da Assembléia eram candidatos, portanto proibidos por lei de participarem de solenidades oficiais, eis que foi até a cidade o presidente do Tribunal de Justiça, como governador.
Natural, não tivesse o afortunado comparecido ao evento a bordo do helicóptero locado ao Estado para ações policiais. Com o desplante de dizer ao prefeito que gostava e utilizava, mesmo, de toda a mordomia disponível.
Isso, na verdade, é a distorção do entendimento daquilo que venha a ser Público. Ou distorção daquilo que venha a ser humanidade. Ou desconhecimento daquilo que venha a ser, de fato, bom senso.
É isso o que talvez mais me envergonhe no Brasil!!!

2 Comments:
Rapaz, há tanta coisa que me envergonha neste país que quando paro pra pensar sobre o assunto a vontade que tenho é de que pudesse ter nascido em algum país da Escandinávia. Infelizmente Paulo, não ha jeito para este Brasil. Só nos resta mesmo é lamentar ou, quem sabe, mudar pra bem longe. Se bem que atualmente deixar o país não é mais um bom negócio. É aquela velha estória: se ficar o bicho pega e se correr o bicho come. Estamos mesmo condenados, graças a JK, ao atraso eterno.
Nivaldo, rapaz, deixa a tempo passar. Uma hora o brasileiro acorda, e acaba expulsando essa turma... Tenha fé em Deus, tenha fé na vida. Tb já pensei em ir embora. Mas, deixar o país prá elles, nunca!!!
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