LAMENTÁVEL REALIDADE
Impressionante esse país. Mergulhado num mar de lama, que ultrapassou todos os limites nos últimos três anos, vem a eleição e o povo vai lá, esquece tudo, e renova praticamente todos os mandatos dos que se envolveram nas patifarias.
Que ninguém espere milagre, ou que os políticos malandros se tornem homens bonzinhos, preocupados com o país e seu povo, de uma hora para outra. Ao contrário, bem ao contrário, vão no mínimo repetir suas espertezas. E o diabo é quem duvida de que na eleição próxima, logo na seguinte, o povo ainda não lhes confie mais mandatos.
Lembro o Padre Antônio Vieira, no Sermão da Sexagéssima, buscando saber qual a razão do povo se afastar da igreja. E perguntava se estava em Deus, no Pregador, ou nos fiéis.
Que nem agora, me pergunto se essa situação nacional está na política, nos políticos ou nos eleitores.
Da parte da política, sabe-se perfeitamente que tem proporcionado, com o poderio que lhe unge, todo tipo de atitude “pouco republicana”, para usar expressão comum nos dias correntes. Promove-se o vale-tudo preocupante, a partir do dinheiro público – que de público precisa ser entendido como meu, seu, do Chico, do Zé, de todos nós. É emprego, é vantagem nos contratos, é cargo de evidência, é dinheiro vivo, enfim, saídos dos bolsos extorquidos dos brasileiros na forma absurda de imposto. Isso é nojento.
Da parte dos políticos, o ideal da sabedoria, que ilude eleitores - cidadãos comuns e também os esclarecidos, que têm um valor arretado enquanto detentores de título eleitoral -, com conversa mole de todo tipo e formato. E o voto passou a ser um salvo conduto impressionante. Com um mandato se faz coisas que até o demônio mais pífio e ardiloso duvida. Negociatas, garantias de livre trânsito, impunidade, “imunidade” total, acesso a todos os gabinetes de todas as instâncias (principalmente se for mandato federal).
Da parte do povo, é tentar entender a partir de quais princípios escolhe seus eleitos. Uns confessam que o fazem pela posição dos “artistas” nas pesquisas, pois dizem que não querem “perder” o voto, sufragando os que não serão eleitos. Isso é que é participação efetiva da vida política do país, do estado, do município. E não era bem isso o que Aristóteles queria dizer quando nos qualificou de animais políticos, participando da “polis”... Mas povo há que vota pela vantagem que lhe oferece o candidato. E os bobalhões que seguem as tendências, o “coro dos contentes”, sem questionamentos. Consciente, mesmo, ninguém vota, e se vota sabe que aquilo tudo é só teatro, onde um faz de conta que vai trabalhar pela coletividade e a gente finge que acredita. Por isso nosso povo tem tido, cada vez mais claramente, o governo “medíocre” que merece. Porque é um povo que não se respeita – nem como ser humano, nem como eleitor, muito menos como força e razão maior.
Só pra confirmar como é a coisa: na Câmara dos Deputados estão lutando por um aumento salarial, coisa besta, elevando a remuneração dos grandes homens daquele parlamento de R$ 12.847,00 para R$ 24.500,00. Não é nada, não é nada, são 90,7% de variação. Alguém lembra da lenga-lenga que é o aumento do salário mínimo? E do percentual?
Só pra lembrar, quando varia, o salário incha 3%, 5%, 6%.
Que ninguém espere milagre, ou que os políticos malandros se tornem homens bonzinhos, preocupados com o país e seu povo, de uma hora para outra. Ao contrário, bem ao contrário, vão no mínimo repetir suas espertezas. E o diabo é quem duvida de que na eleição próxima, logo na seguinte, o povo ainda não lhes confie mais mandatos.
Lembro o Padre Antônio Vieira, no Sermão da Sexagéssima, buscando saber qual a razão do povo se afastar da igreja. E perguntava se estava em Deus, no Pregador, ou nos fiéis.
Que nem agora, me pergunto se essa situação nacional está na política, nos políticos ou nos eleitores.
Da parte da política, sabe-se perfeitamente que tem proporcionado, com o poderio que lhe unge, todo tipo de atitude “pouco republicana”, para usar expressão comum nos dias correntes. Promove-se o vale-tudo preocupante, a partir do dinheiro público – que de público precisa ser entendido como meu, seu, do Chico, do Zé, de todos nós. É emprego, é vantagem nos contratos, é cargo de evidência, é dinheiro vivo, enfim, saídos dos bolsos extorquidos dos brasileiros na forma absurda de imposto. Isso é nojento.
Da parte dos políticos, o ideal da sabedoria, que ilude eleitores - cidadãos comuns e também os esclarecidos, que têm um valor arretado enquanto detentores de título eleitoral -, com conversa mole de todo tipo e formato. E o voto passou a ser um salvo conduto impressionante. Com um mandato se faz coisas que até o demônio mais pífio e ardiloso duvida. Negociatas, garantias de livre trânsito, impunidade, “imunidade” total, acesso a todos os gabinetes de todas as instâncias (principalmente se for mandato federal).
Da parte do povo, é tentar entender a partir de quais princípios escolhe seus eleitos. Uns confessam que o fazem pela posição dos “artistas” nas pesquisas, pois dizem que não querem “perder” o voto, sufragando os que não serão eleitos. Isso é que é participação efetiva da vida política do país, do estado, do município. E não era bem isso o que Aristóteles queria dizer quando nos qualificou de animais políticos, participando da “polis”... Mas povo há que vota pela vantagem que lhe oferece o candidato. E os bobalhões que seguem as tendências, o “coro dos contentes”, sem questionamentos. Consciente, mesmo, ninguém vota, e se vota sabe que aquilo tudo é só teatro, onde um faz de conta que vai trabalhar pela coletividade e a gente finge que acredita. Por isso nosso povo tem tido, cada vez mais claramente, o governo “medíocre” que merece. Porque é um povo que não se respeita – nem como ser humano, nem como eleitor, muito menos como força e razão maior.
Só pra confirmar como é a coisa: na Câmara dos Deputados estão lutando por um aumento salarial, coisa besta, elevando a remuneração dos grandes homens daquele parlamento de R$ 12.847,00 para R$ 24.500,00. Não é nada, não é nada, são 90,7% de variação. Alguém lembra da lenga-lenga que é o aumento do salário mínimo? E do percentual?
Só pra lembrar, quando varia, o salário incha 3%, 5%, 6%.

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