Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

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Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

01 dezembro 2006

DEGUSTAÇÃO

Num lugar qualquer da cidade, alguém comenta, segurando dúzia e tanto de caju:
- Isso aqui é bom é cortado em rodelas, misturado com feijão.
Achando pouco, lembrou da “manguita do correio”:
- ‘Manguita’ a gente não come de uma, não. Quem sabe, come logo é de cinco, seis.

Lembrei de imediato do meu saudoso pai.
Por hábito, era seu companheiro de mesa no almoço, sempre. O horário era invariável - gostava de comer ao meio dia em ponto. Era ele chegar a casa, sentar-se à mesa, e lá estava eu, do seu lado direito. Minha mãe trabalhava até às 13:30h, e meus irmãos almoçavam a qualquer hora. Era nosso encontro a sós, em geral silencioso, porque era difícil lhe arrancar palavras.

Lembro de outros hábitos alimentares, que não segui. Por exemplo, comer maxixe e quiabo. Isso não... Mas, em geral, adotei seu cardápio, onde caju, manguita do correio, melancia, melão da terra, ata, abacate amassado no prato, bife ao molho com pão massa grossa (limpando a graxa do prato), pamonha de milho, eram presença certa.

Acho que foi isso que me fez amante incorrigível das frutas daqui. Compro e como, sempre, e apresento ao meu filho caçula todas as variedades: manga rosa, manga de fiapo, seriguela, cajá, umbu, caju, tucum, goiaba, bacupari, buriti, pitomba... Às vezes ando na rua de sacola cheia, frutas de todas as cores, cheiros e formatos. E acrescento outras, não tão nossas: uva, tangerina, maçã, abacaxi, mamão, banana, abacate, laranja mel rosa, enfim.

Difícil tem sido achar a manguita. A danada realmente é bem melhor quando comida em quantidade. Não precisa ter medo não – pode comer, mesmo, de cinco, seis, oito, dez. Quanto mais, melhor. Mas tem ficado duma raridade terrível. Quando aparece, custa os olhos da cara. Contudo, vale a pena!

E, fugindo das frutas, beiju de farinhada, beiju com coco, mel de abelha, cuscus de milho, manuê, bolo de goma, requeijão...

Deixa eu parar por aqui, senão estouro de gordo...

7 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Pô Paulo... assím não vale! Quer me deixar com água na boca? Manguita é muito bom e serigüela é a minha preferida. No quintal da minha casa, aí em THE, tem upé de serigüela que dá belos frutos todos os anos. Tá chegando a época. Com sorte agora em dezembro encontro alguma "de vez" no pé. Ah, tem também ata e graviola.... deixa eu parar por aqui se não vou ter que assaltar a geladeira...

Um abraço!

sexta-feira, 01 dezembro, 2006  
Blogger Paulo Chaves said...

Nivaldo, quando vc chegar aqui, me dá um toque. Vou guardar um pacote de murici e outro de piqui prá vc. (Na casa do vizinho, pq o cheiro daquilo me mata). Vc gosta, amigo?

sexta-feira, 01 dezembro, 2006  
Anonymous Anônimo said...

Señor Paulo,
Gracias por "su comentario". Mas realmente acompaño o trabajo de su amigo aunque que lejos, y es adorable.Mucha suerte para ti también.

sábado, 02 dezembro, 2006  
Blogger Paulo Chaves said...

Oh, gracias, amigo. Compatilo contigo de la miesma idea.
Marcus es un gran hijo de la suerte...

sábado, 02 dezembro, 2006  
Anonymous Anônimo said...

Olá Paulo, do muricí até gosto mas o piqui minha mãe vai ficar muito feliz se eu retornar de THE com alguns (herméticamente embalados) na bagagem... hahahahaha um abração!

segunda-feira, 04 dezembro, 2006  
Blogger Marcus Cavalcante said...

Acho que o Velho Zeca estava te arrodeando nesse dia. Você lembra que este era um tema recorrente na agenda jornalística dele. Falar de frutas e dos quintais de Teresina. E o fazia coim uma linguagem tão coloquial que parecia um menino roubando frutas maduras do cercado ao lado.

sexta-feira, 15 dezembro, 2006  
Blogger Paulo Chaves said...

Marcus, sem esquecer que aquele canto telúrico, essencialmente nativo, era tão recorrente quanto realizado. Lembro bem das Notícias Diversas, onde os assuntos eram repassados com uma saudade gostosa, sem pieguice, sem sofrimento. Que professor não tivemos, hein!?
Era uma memória fabulosa!

sexta-feira, 15 dezembro, 2006  

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