ADEUS ANO NOVO
Não tinha uma palavra nova para dizer. Adeus, ano velho.
De repente o olhar descobre a idade das coisas. O sofá carcomido nas suas extremidades, a calça desbotada, de cor roubada pela rigidez temporal. A pálpebra pendente no entorno dos olhos. A maneira diferente de reparar o mundo.
O ano demora a nascer. O sol deste velho se põe do jeito de sempre. Há três dias se fez a promessa e o novo, nada.
Mas o novo é assim. Inesperado.
O novo não angustia, apenas. Produz sonhos, também. Por isso é lerdo. Para que sonhemos os sonhos mais impossíveis.
Aos que esperam novos amores, atiça a idealização de um instante terrível de frustração. Aos que perscrutam melhor sorte, talvez a mesmice. Aos que sofrem, o indefinido. Aos que mentem, a verdade. Aos que calam, a normalidade. Aos que não se movem, o destino.
E a idade fermentando as experiências, os saberes da alma, o aperfeiçoamento duma sabedoria valiosa, que não se capta senão na prática da vida.
Os rojões pipocam na complexidade dos rumos. Clarões alegres, coloridos, que parecem jorrar esperanças. A cidade se ilumina de abraços, sorrisos gigantescos, fluidos bons, inevitáveis. E um pau de cana desenfreado, alucinando as visões – ora dos medos, reduzindo-os; ora da festa, prolongando-a.
E o tempo passa. Indiferente. Já é o novo ano. Nem por isso o sol nasceu quadrado. Ou verde. Nem os carros deixaram de correr as ruas. Ou cachorros de latir. Nem o triste de sonhar. Nem o bêbedo de mentir. Nem o trágico, de se fazer.
Amanhã será outro dia.
Se Deus quiser, igual.
De repente o olhar descobre a idade das coisas. O sofá carcomido nas suas extremidades, a calça desbotada, de cor roubada pela rigidez temporal. A pálpebra pendente no entorno dos olhos. A maneira diferente de reparar o mundo.
O ano demora a nascer. O sol deste velho se põe do jeito de sempre. Há três dias se fez a promessa e o novo, nada.
Mas o novo é assim. Inesperado.
O novo não angustia, apenas. Produz sonhos, também. Por isso é lerdo. Para que sonhemos os sonhos mais impossíveis.
Aos que esperam novos amores, atiça a idealização de um instante terrível de frustração. Aos que perscrutam melhor sorte, talvez a mesmice. Aos que sofrem, o indefinido. Aos que mentem, a verdade. Aos que calam, a normalidade. Aos que não se movem, o destino.
E a idade fermentando as experiências, os saberes da alma, o aperfeiçoamento duma sabedoria valiosa, que não se capta senão na prática da vida.
Os rojões pipocam na complexidade dos rumos. Clarões alegres, coloridos, que parecem jorrar esperanças. A cidade se ilumina de abraços, sorrisos gigantescos, fluidos bons, inevitáveis. E um pau de cana desenfreado, alucinando as visões – ora dos medos, reduzindo-os; ora da festa, prolongando-a.
E o tempo passa. Indiferente. Já é o novo ano. Nem por isso o sol nasceu quadrado. Ou verde. Nem os carros deixaram de correr as ruas. Ou cachorros de latir. Nem o triste de sonhar. Nem o bêbedo de mentir. Nem o trágico, de se fazer.
Amanhã será outro dia.
Se Deus quiser, igual.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home